O jornal satírico francês Charlie Hebdo republicou as charges do profeta Maomé que o colocaram na mira do terrorismo islâmico , na véspera da abertura do

Redação Publicado em 01/09/2020, às 00h00 - Atualizado às 10h17
O jornal satírico francês Charlie Hebdo republicou as charges do profeta Maomé que o colocaram na mira do terrorismo islâmico , na véspera da abertura do processo judicial sobre o massacre em sua redação.
“Tudo isso por causa disso”, diz a capa da nova edição do semanário, divulgada nesta terça-feira (1º), mas que chega às bancas na quarta (2), dia do início do julgamento. “Jamais abaixaremos a cabeça”, garantiu o diretor do Charlie Hebdo, Laurent “Riss” Sourisseau, sobrevivente do ataque de 7 de janeiro de 2015.
A capa mostra 12 charges publicadas inicialmente pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten, em 2005, e depois pelo Charlie Hebdo, em 2006. Os desenhos desencadearam uma onda de fúria em países muçulmanos.
A nova edição do satírico francês ainda exibe uma charge de Maomé feita pelo cartunista Cabu, que perdeu a vida no massacre de 2015.
O atentado foi cometido pelos irmãos Said e Chérif Kouachi, que invadiram a redação do jornal satírico armados com metralhadoras e assassinaram 11 pessoas, incluindo alguns dos principais cartunistas da publicação.
Ao deixarem o prédio, os Kouachi ainda mataram a sangue frio um policial muçulmano, Ahmed Merabet, que estava deitado ferido na calçada. Os disparos perpetrados por Said e Chérif instauraram um clima de terror na capital francesa, que se abrandaria ao longo do ano, antes de retornar com toda a força nos atentados de 13 de novembro, que tiraram as vidas de 130 pessoas.
Dois dias depois do ataque ao Charlie Hebdo, outro jihadista, Amédy Coulibaly, sequestrou um mercado kosher em Paris e matou quatro indivíduos. Antes disso, ele já havia assassinado uma policial durante uma troca de tiros. O saldo daqueles três dias de terror em janeiro de 2015 foi de 17 vítimas, sem contar os terroristas, todos mortos pela polícia.
O julgamento terá 14 indivíduos no banco dos réus, todos acusados de dar apoio logístico aos irmãos Kouachi e a Coulibaly. O processo estava previsto para começar no primeiro semestre, mas teve de ser adiado em função da pandemia de coronavírus.
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Ansa
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