Promotoria destaca imprudência do motorista, que dirigia em alta velocidade e não respeitava regras de trânsito

Redação Publicado em 07/06/2025, às 19h49
Brendo Sampaio, motorista que atropelou e matou duas jovens em abril deste ano, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, estava a 108,1 km/h no momento do acidente, segundo laudo da Polícia Técnico-Científica. Imagens de câmeras de segurança registraram o atropelamento.
O caso ocorreu na Avenida Goiás, via com limite de 60 km/h. Isabela Priel Regis e Isabelli Helena de Lima Costa, ambas de 18 anos, atravessavam na faixa de pedestres após celebrarem o novo emprego de uma delas, quando foram atingidas por um Honda Civic conduzido por Brendo. Com o impacto, os corpos foram arremessados a mais de 50 metros.
Brendo, de 26 anos, estudante de direito, voltava da faculdade. Ele foi denunciado e se tornou réu por duplo homicídio qualificado — por motivo fútil e mediante recurso que dificultou ou impediu a defesa das vítimas — e responde preso ao processo.
De acordo com o advogado Rafael Felipe Dias, representante das famílias, durante audiência realizada nesta semana foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu.
"Brendo afirmou que não viu as vítimas atravessando a rua pois estava concentrado no segundo semáforo, um semáforo após o que estava logo a sua frente, e que não tentou desviar devido a não ver as vítimas, o que é um absurdo. Afirmou ainda que tem 4 graus de astigmatismo, mas não usa óculos segundo orientação médica", disse o advogado.
"A imprudência do acusado, que não prestava atenção ao dirigir, somada à alta velocidade, confirmam o dolo eventual e a necessidade do acusado ser submetido a julgamento popular. As famílias das vítimas clamam por Justiça", pontuou Dias.
As imagens mostram que as jovens atravessavam a faixa enquanto o sinal estava vermelho para pedestres e verde para os veículos. Ainda assim, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997), pedestres têm prioridade nas vias, independentemente da sinalização semafórica.
Em depoimento à Justiça, Brendo relatou:
"Quando me deparei, eu estava olhando para o semáforo da frente e vi que ele amarelou. Quando olhei para o meu, que é o de cima, eu vi que ele estava verde. Daí ia amarelar também (...) Nessa hora que eu dei de encontro. Que o carro deu de encontro com as duas mulheres. E aí eu parei. Parei o carro. Tentei prestar socorro. O cara, que estava do meu lado, já estava chamando ambulância. E eu fiquei, no meu carro, até a chegada de todos os órgãos competentes".
Em maio, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público, que apontou a conduta como homicídio doloso com dolo eventual. Brendo não apresentava sinais de embriaguez no teste do bafômetro. Ele também foi submetido a uma contraprova no IML, cujo resultado não foi divulgado. A polícia suspeita que ele participava de um racha.
Segundo a promotora Erica Philipi, Brendo "habitualmente infringia regras de velocidade, não respeitava os semáforos e dirigia manuseando o celular". O MP aponta ainda que ele não tentou desviar das vítimas, assumindo o risco de causar as mortes.
"O delito foi praticado por motivo fútil, já que o motorista dirigia em alta velocidade por sua mera diversão", disse a promotora.
"O acusado foi denunciado por dois homicídio dolosos (dolo eventual), duplamente qualificados, por motivo fútil e circunstância que dificultou/impediu a defesa das vítimas", falou ao g1 o advogado Rafael Felipe Dias.
"A assistência de acusação está plenamente de acordo com os termos da denúncia e as famílias se sentem aliviadas, embora o processo não tenha acabado, com a denúncia apresentada e já recebida, sentem a sensação de que a justiça está sendo feita e seguirá dessa forma".
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