Defesa do filho do presidente Lula critica vazamento de dados sigilosos e afirma que repasses do presidente foram adiantamento de herança

Erika Osti Publicado em 05/03/2026, às 17h32
A quebra de sigilo bancário do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revelou movimentação de cerca de R$ 19,5 milhões entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026 em uma conta pessoal mantida em São Paulo. Os dados constam em extratos enviados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga suspeitas de fraudes em benefícios previdenciários.
Segundo o material analisado pelos parlamentares, foram registradas 1.531 transações financeiras no período, com aproximadamente R$ 9,77 milhões em entradas e R$ 9,75 milhões em saídas. O levantamento inclui transferências bancárias, resgates de aplicações, pagamentos e movimentações entre contas do próprio empresário.
O maior volume de movimentações ocorreu em 2024, quando a conta registrou cerca de R$ 7,27 milhões em operações. Em 2022, o total movimentado foi de aproximadamente R$ 4,6 milhões, enquanto 2023 somou cerca de R$ 4 milhões. Já em 2025, as transações chegaram a R$ 3,37 milhões. Em 2026, até 30 de janeiro, foram registrados cerca de R$ 205 mil.
De acordo com os extratos, uma parte relevante das entradas veio de resgates de fundos de investimento, que somaram aproximadamente R$ 4,4 milhões no período analisado. Também aparecem transferências realizadas entre contas do próprio Lulinha e repasses de empresas das quais ele é sócio.
Entre essas empresas estão a LLF Tech Participações, responsável por cerca de R$ 2,37 milhões, e a G4 Entretenimento e Tecnologia, que transferiu aproximadamente R$ 827 mil para a conta do empresário.
Os documentos também registram três transferências feitas pelo presidente Lula ao filho, realizadas entre 2022 e 2023, que somam cerca de R$ 721 mil.
Do lado das saídas, parte significativa das operações corresponde a transferências para contas do próprio empresário, que totalizam cerca de R$ 4,6 milhões. O relatório também aponta pagamentos a ex-sócios. Jonas Leite Suassuna Filho recebeu cerca de R$ 704 mil em 17 operações, enquanto Kalil Bittar recebeu aproximadamente R$ 750 mil em 15 transações.
A análise dessas movimentações ocorre no contexto das investigações da CPMI do INSS, instalada para apurar suspeitas de descontos ilegais em aposentadorias e possíveis ligações com operadores envolvidos no esquema conhecido como “farra do INSS”. Parlamentares passaram a citar o nome de Lulinha após a apreensão de mensagens em investigações da Polícia Federal envolvendo o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade. Em nota, os advogados afirmam que todas as movimentações financeiras e bens do empresário são legais e declarados à Receita Federal, resultantes de atividades empresariais, rendimentos de aplicações financeiras e valores recebidos por herança de sua mãe, Marisa Letícia.
Os advogados também afirmam que os repasses feitos pelo presidente Lula ao filho correspondem a adiantamentos de herança e devolução de despesas assumidas por Lulinha em períodos anteriores. A defesa ainda criticou o vazamento de dados considerados sigilosos e informou que pretende acionar autoridades para apurar a divulgação das informações.
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