Diário de São Paulo
Siga-nos
Apostas online

Governo Lula impõe sigilo a processos de autorização de bets

Ministério da Fazenda passou a negar acesso a processos de autorização de casas de apostas, incluindo pareceres técnicos, documentos das empresas e informações sobre a análise realizada pelo governo.

O governo Lula passou a negar acesso a documentos relacionados à autorização de casas de apostas esportivas no país - Imagem: Reprodução
O governo Lula passou a negar acesso a documentos relacionados à autorização de casas de apostas esportivas no país - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 08/06/2026, às 09h40


O governo federal instituiu sigilo sobre processos de autorização de casas de apostas esportivas no Brasil, afetando documentos essenciais para a regulamentação do setor e limitando o acesso de cidadãos e órgãos de controle.

Pedidos de informação feitos com base na Lei de Acesso à Informação foram negados, e o governo utilizou dispositivos legais para classificar dados como pessoais, com restrições que podem durar até 100 anos.

A medida ocorre em um contexto de crescimento do mercado de apostas, enquanto o Ministério da Fazenda defende que o sigilo é necessário para proteger informações sensíveis durante os processos administrativos.

O governo federal passou a impor sigilo sobre processos relacionados à autorização de funcionamento de casas de apostas esportivas e jogos on-line no Brasil. A medida atinge documentos que envolvem a regularização das chamadas bets junto à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda responsável pela regulamentação do setor.

Segundo informações reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, pedidos realizados com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) foram negados pela pasta. Em determinados casos, o governo utilizou dispositivos legais que permitem restringir o acesso a informações classificadas como dados pessoais por um período que pode chegar a 100 anos.

A decisão impede que cidadãos, órgãos de controle, pesquisadores e jornalistas tenham acesso a documentos considerados fundamentais para acompanhar o processo de autorização das empresas que atuam no mercado brasileiro de apostas.

Entre as informações que deixaram de ser públicas estão pareceres técnicos elaborados pela Secretaria de Prêmios e Apostas, notas internas de análise, documentos apresentados pelas empresas durante o processo de habilitação, eventuais pendências identificadas pelo governo e as exigências feitas para correção de irregularidades.

Também ficaram fora do alcance do público informações relacionadas ao pagamento das outorgas federais, cujo valor é de R$ 30 milhões para obtenção da licença de operação, além da identificação dos beneficiários finais das empresas autorizadas a atuar no país.

O caso ganhou repercussão após um pedido formal de acesso realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo. A solicitação buscava obter a íntegra do processo que resultou na autorização da 1xBet para operar legalmente no Brasil. O pedido, no entanto, foi negado pelo Ministério da Fazenda.

A 1xBet é uma plataforma de apostas criada por empresários russos e já esteve envolvida em investigações e controvérsias em diversos países. No Brasil, a empresa recebeu autorização oficial para atuar no mercado regulado em julho deste ano.

De acordo com informações citadas pelo jornal, a empresa operava no país enquanto aguardava a conclusão do processo de regularização junto ao governo federal. Além disso, processos judiciais apontam que a companhia não estaria mais funcionando no endereço informado aos órgãos reguladores e à Receita Federal.

A adoção do sigilo ocorre em um momento de expansão acelerada do mercado de apostas esportivas no Brasil. Desde a regulamentação do setor, dezenas de empresas buscaram autorização para atuar legalmente no país, movimentando bilhões de reais em investimentos e arrecadação.

Especialistas em transparência pública afirmam que a divulgação desses processos é considerada importante para garantir fiscalização social sobre as decisões do governo e sobre a atuação das empresas autorizadas a explorar um setor que movimenta grandes volumes financeiros.

Até o momento, o Ministério da Fazenda sustenta que a restrição atende às previsões legais relacionadas à proteção de informações consideradas sensíveis durante os processos administrativos.


últimas notícias