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Justiça sob suspeita

Desembargador preso recebeu R$ 64,7 mil mesmo afastado por suspeita de corrupção

Alvo da Operação Unha e Carne, magistrado investigado por vazamento de informações em esquema ligado a ex-deputado seguiu recebendo salário integral mesmo após prisão

Desembargador Macário Judice Neto está preso desde dezembro, mas continuou recebendo salário integral previsto pela Lei Orgânica da Magistratura. - Imagem: Reprodução
Desembargador Macário Judice Neto está preso desde dezembro, mas continuou recebendo salário integral previsto pela Lei Orgânica da Magistratura. - Imagem: Reprodução

Da Redação Publicado em 20/01/2026, às 09h51


Preso desde o dia 17 de dezembro por suspeita de envolvimento em um esquema de vazamento de informações sigilosas, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), Macário Ramos Judice Neto, recebeu R$ 64,7 mil líquidos no mês de dezembro, mesmo já estando afastado das funções.

Macário é um dos alvos da Operação Unha e Carne, que investiga irregularidades relacionadas ao ex-deputado estadual do Rio de Janeiro conhecido como TH Joias, apontado como figura central em um esquema de corrupção. Segundo as investigações, o magistrado é suspeito de ter repassado informações estratégicas da apuração, o que teria favorecido investigados.

O valor bruto do subsídio do desembargador foi de R$ 86.386,23. Desse total, R$ 41.845,49 correspondem a diferenças remuneratórias acumuladas. Outros R$ 32.376,03 foram pagos como indenizações. Além disso, ele recebeu R$ 3.563,13 em vantagens pessoais, R$ 1.162,38 em vantagens eventuais e R$ 7.439,20 em gratificações.

Mesmo preso e afastado do cargo, Macário continuou recebendo normalmente os vencimentos porque a Lei Orgânica da Magistratura Nacional garante o pagamento integral do subsídio enquanto não houver decisão definitiva que determine a perda do cargo.

Atualmente, o desembargador está recolhido na Cadeia Pública Constantino Cokotós, em Niterói, onde permanece há mais de um mês. O processo ainda está em fase de investigação e pode resultar em novas medidas judiciais, inclusive abertura de ação penal e eventual perda do cargo, caso as suspeitas sejam confirmadas.

O caso reacende o debate sobre privilégios no Judiciário e sobre a manutenção de salários elevados a autoridades mesmo diante de prisões preventivas e afastamentos por suspeitas graves.


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