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Denúncia grave

Médico relata internação forçada após assumir sexualidade e levanta suspeita de cárcere

Profissional afirma ter sido mantido por 40 dias em clínica sem consentimento; família alega dependência química e caso é investigado

Caso de médico em Teresina levanta suspeitas sobre internação forçada e violação de direitos - Imagem: Reprodução / Coordenadoria de Comunicação (Ccom)
Caso de médico em Teresina levanta suspeitas sobre internação forçada e violação de direitos - Imagem: Reprodução / Coordenadoria de Comunicação (Ccom)

Redação Publicado em 06/05/2026, às 10h37


Um médico de 27 anos denunciou ter sido internado involuntariamente em uma clínica de reabilitação em Teresina, logo após revelar sua homossexualidade à família, permanecendo 40 dias sem comunicação externa e com acesso restrito a seus pertences.

A defesa alega que a internação foi motivada pela reação negativa dos pais à sua orientação sexual, enquanto a família justifica a medida como uma preocupação com um suposto vício em drogas, sem laudos psiquiátricos adequados que comprovassem essa condição.

Após conseguir contato com pessoas de confiança, o médico acionou a Justiça, resultando na intervenção das autoridades e na autorização da família para sua saída da clínica, enquanto investigações sobre a legalidade da internação e possíveis violações de direitos estão em andamento.

Um médico de 27 anos denunciou ter sido internado contra a própria vontade em uma clínica de reabilitação em Teresina, onde permaneceu por cerca de 40 dias sem acesso a comunicação externa. Segundo o relato e a defesa, a internação teria ocorrido dias após ele revelar sua orientação sexual à família.

De acordo com a advogada Juliana Irineu, o profissional foi retirado à força do local onde estava hospedado. Ele afirma que foi surpreendido por homens que o imobilizaram e o levaram até uma ambulância, sendo encaminhado diretamente à unidade de reabilitação.

Relato de internação sem consentimento

Durante o período em que esteve internado, o médico afirma que teve documentos e celular retidos, além de não conseguir contato com familiares, advogados ou amigos. Ele relata ainda que foi medicado sem esclarecimento sobre os remédios administrados e sem autorização formal.

Segundo a defesa, apenas dias após a internação foi emitido um laudo psiquiátrico que o classificava como dependente químico, embora, de acordo com o relato, não tenham sido realizados exames toxicológicos que comprovassem a condição.

O profissional também afirma ter sofrido abalo emocional ao longo do período, agravado pela falta de autonomia e pelo isolamento.

Motivações e versões divergentes

Para a defesa, a principal motivação da internação foi a revelação da homossexualidade do médico, o que teria gerado reação negativa por parte dos pais. Já a família sustenta que a medida foi tomada por preocupação com um suposto vício em drogas.

A advogada argumenta que a legislação brasileira permite internações involuntárias apenas em situações específicas, que exigem critérios técnicos rigorosos, como laudos consistentes e garantia dos direitos do paciente — pontos que, segundo ela, não teriam sido respeitados no caso.

Intervenção e saída da clínica

O médico conseguiu contato com pessoas de confiança após ter acesso a um celular dentro da clínica. A partir disso, a defesa acionou a Justiça e buscou apoio policial para verificar a situação no local.

Após a repercussão do caso e a intervenção das autoridades, a família autorizou o encerramento da internação, e o médico deixou a unidade com seus pertences.

Investigação em andamento

O caso agora é acompanhado por autoridades e pode envolver apurações sobre possíveis crimes, como internação irregular e restrição de liberdade.

Órgãos como o Ministério Público do Estado do Piauí e o Conselho Regional de Medicina foram acionados para avaliar a legalidade dos procedimentos adotados pela clínica.

A investigação deve esclarecer se houve abuso na aplicação da legislação sobre internações involuntárias e se direitos fundamentais do paciente foram violados.


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