Condenações do líder religioso caíram de quase 500 anos para 214 anos de prisão; parte dos processos foi extinta por prescrição e recursos ainda seguem em análise no STJ.

Ana Beatriz Publicado em 06/05/2026, às 14h52
A Justiça de Goiás reduziu a pena de João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, para 214 anos, 1 mês e 20 dias, uma diminuição de mais de 275 anos em relação à condenação inicial de 489 anos. Essa decisão reflete a revisão de algumas condenações e a extinção de processos por prescrição.
João de Deus enfrenta 18 ações penais, a maioria por crimes sexuais, envolvendo pelo menos 67 vítimas reconhecidas, além de mais de 120 casos que não avançaram judicialmente. A redução mais significativa ocorreu em um processo que passou de 51 anos para 13 anos de prisão após recurso.
Atualmente, João de Deus cumpre pena em regime domiciliar desde 2021, devido à sua idade e saúde, mas o caso ainda não está encerrado, pois parte dos processos aguarda julgamento no Superior Tribunal de Justiça, podendo resultar em novas alterações na pena.
A Justiça de Goiás reduziu para 214 anos, 1 mês e 20 dias de reclusão a pena total de João Teixeira de Faria, conhecido nacionalmente como João de Deus. A nova decisão representa uma diminuição de mais de 275 anos em relação às condenações aplicadas em primeira instância, que somavam cerca de 489 anos de prisão. Além da reclusão, ele também recebeu 1 ano de detenção.
Segundo levantamento confirmado pelo Tribunal de Justiça de Goiás ao portal CNN Brasil, as reduções ocorreram após uma série de recursos apresentados pela defesa do líder religioso. Parte das condenações foi revista em segunda instância, enquanto outros processos acabaram extintos por prescrição ou decadência do direito de representação, quando a Justiça entende que o prazo legal para formalização da denúncia expirou.
João de Deus responde a 18 ações penais, a maioria relacionada a crimes sexuais, incluindo estupro de vulnerável, estupro e violação sexual mediante fraude. Os processos envolvem ao menos 67 vítimas formalmente reconhecidas nas denúncias, além de outras mais de 120 mulheres cujos casos não avançaram judicialmente devido à prescrição.
A redução mais significativa ocorreu em um dos processos que originalmente previa mais de 51 anos de prisão e acabou reduzido para pouco mais de 13 anos após recurso. Em outra ação penal, a sentença foi anulada pela Justiça. João de Deus também foi absolvido em um processo que não envolvia crimes sexuais, mas acusações ligadas às relações de consumo.
O caso ganhou repercussão nacional e internacional em 2018, quando centenas de mulheres passaram a denunciar abusos supostamente cometidos durante atendimentos espirituais realizados na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, interior de Goiás. As acusações provocaram uma das maiores crises envolvendo líderes religiosos no Brasil nas últimas décadas.
João de Deus foi preso preventivamente em dezembro de 2018 e, desde 2021, cumpre pena em regime domiciliar em Anápolis, utilizando tornozeleira eletrônica. A medida foi concedida pela Justiça em razão da idade avançada e das condições de saúde do líder religioso.
Apesar da redução das condenações, o caso ainda não teve desfecho definitivo. Parte dos processos segue aguardando julgamento de Recursos Especiais no Superior Tribunal de Justiça, o que significa que o total da pena ainda poderá sofrer novas alterações.
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