Facção do interior paulista teria parceria com a principal organização criminosa do Rio de Janeiro

Lívia Gennari Publicado em 14/06/2025, às 20h11
Policiais militares da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) prenderam, na última sexta-feira (13), Isac Rafael de Lima, apontado como um dos principais líderes do “Bando do Magrelo”, facção criminosa que disputa território com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no interior de São Paulo. Ele foi detido na Rodovia dos Bandeirantes, próximo a Campinas, enquanto conduzia uma Mercedes, após ser monitorado pela inteligência da Polícia Militar.
De acordo com a Polícia Militar, Isac mantinha uma “estreita aliança criminosa” com o Comando Vermelho (CV), a maior facção do Rio de Janeiro. A suspeita dos policiais é de que o grupo paulista tenha se associado ao CV para expandir sua atuação e garantir o fornecimento de armamento e drogas. Ele era responsável por articular negociações e operações envolvendo armas de grosso calibre e entorpecentes.
A relação entre o Bando do Magrelo e o Comando Vermelho é alvo de inquérito da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Limeira. Em maio, investigações revelaram a atuação de agentes públicos corruptos, entre eles policiais militares e guardas civis, que estariam colaborando com a facção e também com o CV.
Um dos principais articuladores dessa conexão interestadual seria Josias Bezerra Menezes, o “Oclinhos”, ex-pastor e membro do Bando do Magrelo, responsável por abastecer a facção carioca com armamento pesado.
Violência em alta e disputa territorial
O “Bando do Magrelo”, comandado por Anderson Ricardo de Menezes, conhecido como Magrelo, atua em pelo menos oito cidades do interior paulista e ganhou notoriedade pela violência e ousadia de seus ataques, muitos deles realizados à luz do dia com uso de fuzis e metralhadoras. Com o PCC cada vez mais focado no tráfico internacional, a facção tem ocupado os espaços deixados pela facção rival e ampliado sua influência nas cidades do interior.
A guerra pelo controle do crime tem elevado os índices de violência. Só em Rio Claro, base da organização criminosa, 33 pessoas foram assassinadas em 2024.
Isac foi encaminhado a uma delegacia da região e está à disposição da Justiça. A Polícia Militar segue investigando outros integrantes do grupo e afirmou que trabalha para desarticular completamente a organização.
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