Diário de São Paulo
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Violência animal

Grupos usam Discord para torturar animais ao vivo e lucrar com crimes

Investigações apontam que adolescentes organizam transmissões de maus-tratos a pets, com incentivo do público e possível monetização dentro das plataformas.

Investigação aponta uso de plataformas digitais para transmissão de maus-tratos a animais em tempo real; polícia monitora centenas de grupos no país. - Imagem: Reprodução / Polícia Civil
Investigação aponta uso de plataformas digitais para transmissão de maus-tratos a animais em tempo real; polícia monitora centenas de grupos no país. - Imagem: Reprodução / Polícia Civil

Redação Publicado em 22/04/2026, às 09h52


Investigações da Polícia Civil de São Paulo revelaram que grupos organizados utilizam plataformas digitais para torturar animais ao vivo, buscando reconhecimento e lucro, o que levanta preocupações sobre a normalização da violência extrema entre jovens.

Cerca de 10 a 15 animais são vítimas por noite em diferentes grupos monitorados, com muitos jovens sendo coagidos a participar dos crimes, evidenciando a gravidade e a escala do problema.

As autoridades estão monitorando aproximadamente 1.800 grupos no Brasil, mas enfrentam dificuldades com a falta de resposta das plataformas digitais, como o Discord, que comprometem ações emergenciais para interromper os abusos.

Investigações da Polícia Civil de São Paulo revelaram a atuação de grupos organizados em plataformas digitais que utilizam transmissões ao vivo para torturar animais, principalmente cães e gatos, como forma de obter reconhecimento e lucro dentro de comunidades online.

De acordo com apuração, os crimes ocorrem em servidores do Discord, onde usuários — em sua maioria adolescentes — promovem lives previamente agendadas com atos de extrema violência. O conteúdo é consumido por outros membros, que interagem em tempo real incentivando os abusos.

A dinâmica, segundo investigadores, funciona como uma espécie de “economia da violência”, em que quanto mais brutal o conteúdo, maior o status dentro dos grupos e maior o potencial de monetização.

As transmissões são feitas ao vivo justamente para garantir autenticidade e aumentar o impacto entre os espectadores. Registros analisados mostram que o público participa ativamente, sugerindo agressões e estimulando os autores dos crimes.

A polícia identificou que a prática não é isolada. Há uma média de 10 a 15 animais vítimas por noite em diferentes grupos monitorados, o que evidencia a escala do problema.

Além dos agressores voluntários, as investigações também apontam casos de jovens coagidos a cometer os crimes. Em situações de sextorsão, vítimas são ameaçadas após envio de imagens íntimas e obrigadas a participar das transmissões, inclusive utilizando animais da própria família.

Um dos casos identificados envolveu um jovem que planejava matar cães da própria casa durante uma live. A ação foi interrompida após monitoramento policial e mobilização de equipes em outro estado.

Escalada de violência preocupa autoridades
Para os investigadores, o fenômeno vai além dos maus-tratos a animais. Trata-se de um ambiente que normaliza a violência extrema e pode servir como etapa de escalada para crimes ainda mais graves.

Especialistas apontam que a repetição desses atos reduz a empatia e pode funcionar como um “treinamento emocional”, associado a perfis de comportamento violento.

Atualmente, cerca de 1.800 grupos desse tipo são monitorados no Brasil, espalhados por diferentes regiões do país.

Falta de resposta das plataformas

A atuação das plataformas digitais também é alvo de críticas. Segundo a polícia, há dificuldade de cooperação e lentidão nas respostas às solicitações, o que compromete ações emergenciais para impedir os crimes.

O Discord não se manifestou até a última atualização.

Apesar dos desafios, operações têm conseguido interromper transmissões e salvar animais antes da execução dos atos.


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