Kamyla Santos, conhecida como Kamylinha, é uma das vítimas, tendo engravidado aos 17 anos e enfrentado condições alarmantes

William Oliveira Publicado em 19/08/2025, às 11h47
Recentemente, o influenciador digital Hytalo Santos e seu esposo, Israel Nata Vicente, foram presos sob graves acusações envolvendo tráfico de pessoas e exploração sexual infantil. As investigações revelaram uma situação alarmante envolvendo adolescentes que viviam sob os cuidados do casal em sua residência, em João Pessoa, Paraíba.
Um dos casos mais impactantes envolve Kamyla Santos, conhecida como Kamylinha, que engravidou aos 17 anos do irmão de Hytalo, Hyago Santos. Durante o período em que estava sob tutela do influenciador, a jovem perdeu o bebê, trazendo à tona questionamentos sobre as condições em que os adolescentes eram mantidos.
Kamylinha, que contava com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, teve seu perfil bloqueado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, por promover casas de apostas sendo menor de idade, prática ilegal e contrária às normas de proteção à infância.
De acordo com relatos de ex-funcionários, a vida na mansão de Hytalo era marcada por uma rotina extremamente controladora. Os jovens eram incentivados a consumir álcool sem restrições e tinham acesso limitado aos próprios celulares, guardados em caixas ou em quartos trancados.
Os depoimentos indicam que os adolescentes viviam sob condições análogas a cárcere privado, sem interação social e com vigilância constante. Pais dos jovens recebiam compensações financeiras mensais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil para permitir que seus filhos morassem com Hytalo e participassem das gravações.
O caso está sendo investigado pelo Ministério Público da Paraíba, pelo Ministério Público do Trabalho e pela Polícia Civil. As autoridades buscam identificar outros envolvidos no esquema e avaliar a extensão das violações cometidas.
A prisão do casal levou à suspensão das contas de Hytalo no TikTok, YouTube e Instagram, plataformas que alegaram ações contra conteúdos que violam diretrizes de segurança infantil.
A defesa de Hytalo Santos nega as acusações, afirmando que ele e Israel estavam apenas em São Paulo a passeio, e considera as prisões um exagero, alegando distorções nos relatos.
O Ministério Público, no entanto, sustenta possuir evidências suficientes para comprovar a exploração de menores, apontando que adolescentes eram aliciados em outras localidades e levados para João Pessoa para um regime opressivo. Após a prisão do casal, os jovens foram devolvidos às famílias.
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