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Alto nível de cloro em piscina causou morte em academia de SP; polícia pede prisão de proprietários

Investigação aponta mistura inadequada de produtos e rotina de falhas no tratamento da água; três sócios foram indiciados por homicídio

Negligência no uso de químicos na piscina terminou em tragédia - Imagem: Divulgação | Polícia Civil
Negligência no uso de químicos na piscina terminou em tragédia - Imagem: Divulgação | Polícia Civil

Lívia Gennari Publicado em 12/02/2026, às 14h42


A Polícia Civil de São Paulo concluiu que o excesso de cloro utilizado na piscina da academia C4 Gym, unidade do Parque São Lucas, na zona leste da capital, foi o fator decisivo para a morte de uma aluna e para a intoxicação de ao menos outras seis pessoas durante uma aulano último fim de semana. O episódio, que em um primeiro momento parecia um acidente pontual, acabou revelando um cenário mais amplo de falhas recorrentes na manutenção e no controle dos produtos químicos usados no local.

Segundo o delegado Alexandre Bento, responsável pelo inquérito, o manuseio inadequado dos produtos químicos não era exceção, mas rotina. Em depoimento, o manobrista Severino José da Silva, responsável pela preparação das substâncias usadas na piscina, afirmou que misturas improvisadas faziam parte do dia a dia do estabelecimento. Ele relatou ainda que recebia orientações por mensagens de celular e deixava baldes com compostos à beira da piscina, onde o professor de natação fazia a aplicação após as aulas.

A investigação identificou que dois tipos de cloro, de marcas distintas, foram combinados em um balde com água. O recipiente, colocado a aproximadamente dois metros da piscina, liberou gases tóxicos que se espalharam rapidamente pelo ambiente fechado.

As vítimas relataram dificuldade para respirar imediatamente antes de apresentarem sintomas de intoxicação química. A aluna Juliana Faustino Bassetto teve contato direto com a área no momento em que os vapores se dissiparam. Ela sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. 

"O envenenamento por cloro é fatal. O que aconteceu não foi uma fatalidade, foi uma tragédia anunciada, que poderia ter sido evitada, se os sócios não visassem só o lucro", afirmou o delegado Alexandre Bento.

Além das irregularidades no tratamento da água, os investigadores descobriram que a academia funcionava sem alvará e apresentava improvisos estruturais, entre elas uma instalação elétrica irregular que conectava o sistema da piscina à cozinha. Os policiais também constataram a ausência de equipamentos de proteção para funcionários e o armazenamento incorreto dos produtos químicos usados na limpeza.

Diante das evidências, os sócios Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte ao agir de maneira imprudente. 

Houve por parte dos proprietários da empresa um descuido deliberado de forma gananciosa, para que o resultado ocorresse. Por isso foram indiciados", explicou o delegado do caso.

A Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão dos três indiciados. Até o momento, contudo, não há decisão judicial. Enquanto isso, a academia permanece interditada, e a investigação segue apurando possíveis novas responsabilidades administrativas e criminais.


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