Tarcísio de Freitas critica o governo Lula por priorizar ideologias em vez de interesses econômicos, após tarifas de Trump

William Oliveira Publicado em 10/07/2025, às 09h31
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), responsabilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela recente imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em publicações nas redes sociais, Tarcísio afirmou que “a responsabilidade é de quem governa”, criticando Lula por, segundo ele, priorizar a ideologia em detrimento da diplomacia econômica. O governador avaliou que a decisão de Trump é uma reação ao suposto alinhamento do Brasil com regimes autoritários e à defesa de práticas como a censura. Ele declarou ainda que o governo petista não pode transferir a culpa a administrações anteriores.
A medida adotada pelos EUA surpreendeu especialistas no Brasil e no exterior, que apontaram motivações políticas para a decisão. O ex-presidente do Banco Central, Alexandre Schwartsman, comentou que Trump mencionou “a iminente condenação do Bolsonaro”. O economista Paul Krugman classificou a medida como “maligna e megalomaníaca”, acrescentando que os EUA já utilizaram tarifas com fins políticos em outras ocasiões.
Entidades representativas da indústria e do agronegócio brasileiro manifestaram preocupação, afirmando que a nova tarifa pode colocar milhares de empregos em risco.
Tarcísio intensificou as críticas ao governo: “Tiveram tempo para prestigiar ditaduras, defender a censura e agredir o maior investidor direto no Brasil. Outros países buscaram a negociação. Não adianta se esconder atrás de Bolsonaro.”
Em resposta, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que Tarcísio e seus aliados são os verdadeiros responsáveis por colocar ideologias acima dos interesses do país. Para ela, a oposição está mais preocupada com ganhos políticos do que com os prejuízos decorrentes da medida imposta pelos EUA.
No contexto da carta enviada ao presidente Lula, Trump justificou a nova tarifa citando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, classificando-o como uma “vergonha internacional”. Lula respondeu afirmando que o Brasil não aceitará ser tutelado por nenhuma nação e prometeu adotar medidas com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
O documento assinado por Trump contém acusações sem evidências sobre ataques à democracia brasileira e violações à liberdade de expressão nos EUA. A tarifa de 50% deve ser aplicada a todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos, além das tarifas já existentes para setores como aço e alumínio.
Entre os 14 países afetados, o Brasil foi o mais penalizado. Trump alegou que as relações comerciais são “injustas” e que o déficit norte-americano decorre de barreiras impostas pelo Brasil. No entanto, dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil tem registrado déficits constantes na balança comercial com os EUA desde 2009 — ou seja, o país importa mais do que exporta.
Analistas apontam que a medida tem forte motivação geopolítica e que Trump busca ampliar sua influência internacional. Na carta enviada aos países afetados, ele sugeriu que empresas brasileiras evitariam a tarifa se transferissem suas operações para território americano, ameaçando retaliação caso o Brasil adotasse medidas em resposta.
Lula reafirmou a soberania brasileira e declarou que nenhuma ingerência externa será aceita nas questões judiciais internas, como o julgamento dos envolvidos no ataque às instituições em janeiro de 2023. O presidente também defendeu a liberdade de expressão, enfatizando que ela não deve ser confundida com discursos de ódio ou ameaças à democracia.
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