Esteliano Madureira, de 43 anos, suspeito de matar a estudante Bruna Oliveira, foi encontrado morto com sinais de execução em Paraisópolis

William Oliveira Publicado em 27/04/2025, às 08h00
A Polícia Civil investiga a possível execução de Esteliano Madureira, de 43 anos, suspeito de assassinar Bruna Oliveira, uma estudante de 28 anos, na zona leste de São Paulo. As autoridades acreditam que ele tenha sido vítima de um "tribunal do crime", prática cada vez mais recorrente entre facções criminosas no Brasil.
Esses julgamentos paralelos ocorrem em áreas controladas pelo crime organizado, onde acusados são submetidos a agressões, tortura e humilhações severas. Nessas situações, os criminosos assumem o papel de juízes, impondo punições extremas sob o pretexto de fazer justiça.
Segundo Márcio Sérgio Christino, procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo, "os criminosos agem de acordo com seus próprios interesses, sem considerar o bem da comunidade. Isso é tirania, não justiça".
Com base nas circunstâncias do crime, a polícia acredita que o suspeito da morte de Bruna foi julgado e executado por integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). O corpo de Esteliano José Madureira foi encontrado envolto em um saco plástico, com sinais de violência, em uma rua de Paraisópolis — local conhecido como "Suprema Corte" do tribunal do crime.

André Santos Pereira, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo, destaca que a localização do corpo é um forte indicativo da atuação do PCC. A facção conduz investigações internas, baseando-se em informações da mídia e em relatos de testemunhas, e decide as punições, que muitas vezes levam à execução.
Alguns crimes, como roubo contra a organização e tráfico sem autorização, são considerados intoleráveis pelas facções. Pereira explica que a cultura machista entre os membros também influencia esses julgamentos: crimes contra mulheres, por exemplo, são severamente punidos.
Um caso similar é o de Solirano de Araújo Sousa, o "Maníaco da Mooca", acusado de atacar ao menos sete mulheres na zona leste em setembro do ano passado. Ele desapareceu e acredita-se que tenha sido executado.
O "tribunal do crime" surgiu em São Paulo e se fortaleceu dentro dos presídios. Mesmo encarcerados, líderes das facções mantêm controle sobre operações externas, ampliando seu poder nas periferias e dificultando a ação da polícia.
Christino ressalta: "Quem está dentro do sistema prisional sempre assume o papel de juiz. Isso dá poder a quem está preso, e os outros obedecem às ordens. É o exercício de poder de quem está dentro para quem está fora do sistema penitenciário".
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