Relatos de cavaleiros expõem graves maus-tratos a cavalos no Clube Hípico de Santo Amaro, gerando preocupação entre os associados

William Oliveira Publicado em 26/05/2025, às 10h46 - Atualizado em 27/05/2025, às 19h02
O Clube Hípico de Santo Amaro, localizado na Zona Sul de São Paulo, enfrenta graves acusações de maus-tratos a cavalos, conforme relatos de cavaleiros associados. Os episódios ocorreram entre abril e maio de 2023, gerando forte preocupação entre frequentadores do tradicional centro hípico, fundado em 1935.
Segundo as denúncias, tanto a diretoria do clube quanto a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), responsável pela fiscalização, foram notificadas sobre os casos, mas não tomaram medidas efetivas. As mensalidades do clube variam entre R$ 2.500 para sócios sem cavalos e R$ 7.000 para os que mantêm seus animais nas instalações.
Um dos casos mais alarmantes aconteceu durante o Concurso de Salto Nacional 4, realizado em 11 de maio, quando um competidor foi desclassificado após ser constatada uma lesão grave na pata de seu cavalo, provocada por tachinhas. No dia 12 de abril, outro animal foi encontrado sangrando, com um pedaço de chicote preso ao corpo após um treinamento.
Imagens e vídeos mostram lesões visíveis na barriga do cavalo, além do chicote ainda preso à pele. Um sócio, que pediu anonimato por medo de represálias, relatou ter visto feridas como aquelas pela primeira vez em 26 anos de hipismo. O incidente teria ocorrido entre 12h30 e 13h, durante um treinamento.
"Vi que o cavalo foi treinar e, quando voltou para a cocheira, me deparei com essas lesões. Mandei um e-mail para a diretoria do clube solicitando as imagens da câmera da pista para eu entender o que aconteceu, mas não me responderam até hoje", contou o associado.
Sem retorno da CBH após contato via WhatsApp em 12 de abril, ele reforçou o pedido por e-mail à diretoria dois dias depois. Em nova tentativa, no dia 16, acionou o departamento jurídico do clube informando que possuía imagens do animal machucado. A resposta veio apenas dez dias depois, indicando que o caso estava em análise pela diretoria.
A equipe veterinária, liderada por Edson Garcia Tosta, foi acionada para cuidar do cavalo ferido, mas os detalhes do tratamento não foram divulgados, sob alegação de confidencialidade.

Com cerca de 500 cocheiras, o clube abriga cavalos de sócios que pagam as mensalidades mais altas. Outra associada, que também preferiu não se identificar, demonstrou preocupação com o tratamento dado aos animais e disse que a administração sabia das agressões, mas nada fez. "Disseram apenas que notificaram a CBH, mas nunca apresentaram qualquer prova", afirmou.
A direção do Clube Hípico de Santo Amaro informou, em nota, que o caso foi analisado internamente e resultou na punição do associado responsável. O clube também afirma ter encaminhado o caso ao Conselho de Ética da CBH.
"O CHSA respeita todas as normas e procedimentos do esporte hípico e repudia veementemente quaisquer práticas de maus-tratos a animais. Há 90 anos, o clube é referência na promoção e no desenvolvimento do esporte, bem como nos cuidados e no bem-estar dos cavalos", destacou.
A Confederação Brasileira de Hipismo confirmou que, ao tomar conhecimento da denúncia em maio, desclassificou imediatamente o cavaleiro envolvido. Informou ainda que instaurou um processo para apurar os fatos e que os resultados serão divulgados.
A Lei de Crimes Ambientais prevê pena de três meses a um ano de detenção, além de multa, para quem praticar maus-tratos contra animais.
Nesta sexta-feira (23), o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) protocolou pedido junto ao Ministério Público solicitando investigação das denúncias e responsabilização dos envolvidos.
Apesar das diretrizes rigorosas para o bem-estar animal no hipismo moderno, casos de abusos ainda ocorrem. Em episódio recente, a multicampeã olímpica Charlotte Dujardin foi suspensa pela Federação Equestre Internacional após ser flagrada maltratando seu cavalo durante um treino.
Outro lado
Em nota à reportagem, o clube informou que, no momento, as denúncias continuam sendo apuradas pelo Conselho de Ética da Confederação Brasileira de Hipismo. A CHSA acrescentou ainda que as ações se tratam de condutas individuais de associados, os quais já foram devidamente punidos pela Comissão Disciplinar da própria instituição. Confira:
"O Clube Hípico de Santo Amaro (CHSA) informa que as denúncias veiculadas na mídia nos últimos dias já foram analisadas e punidas pela Comissão Disciplinar do Clube, com suspensão dos associados envolvidos. E reforça que:
1. Não tolera qualquer ato de violência contra animais.
2. Os casos estão agora sendo investigados pelo Conselho de Ética da Confederação Brasileira de Hipismo.
3. Preza pela transparência das informações e cuidado rigoroso com a qualidade de suas atividades."
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