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Sete anos após tragédia de Brumadinho, Justiça começa a ouvir testemunhas

Processo criminal entra em fase decisiva com depoimentos de vítimas, defesa e acusação previstos até maio de 2027

Casas foram soterradas e ficaram destruídas pela passagem da lama - Imagem: Antônio Cruz/ Agência Brasil
Casas foram soterradas e ficaram destruídas pela passagem da lama - Imagem: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Lívia Gennari Publicado em 25/01/2026, às 11h47


Sete anos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), sobreviventes e familiares das vítimas entram em uma etapa decisiva no processo criminal que apura responsabilidades pela tragédia. A partir de 23 de fevereiro, testemunhas começarão a prestar depoimentos no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), em Belo Horizonte.

O desastre de 25 de janeiro de 2019 deixou 270 mortos, incluindo duas gestantes, e despejou 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração em comunidades próximas, nas instalações da Vale e no Rio Paraopeba.

Até hoje, nenhum dos réus foi julgado. Na última sexta-feira (23), familiares de vítimas de Brumadinho se uniram a representantes de outras tragédias nacionais, como Mariana (MG) e o incêndio na boate Kiss, no Rio Grande do Sul, em um ato público.

Na Justiça

Ao todo, estão previstas 166 oitivas: 24 indicadas pelo Ministério Público Federal (MPF), 141 pelas defesas e uma que será ouvida por ambas as partes. Entre os 17 réus estão 15 pessoas físicas e duas empresas — a Vale e a Tüv Süd.

Os depoimentos da acusação serão ouvidos primeiro, distribuídos em 11 dias. Em seguida, a fase de audiências das defesas deve se estender até março de 2027, quando começarão os interrogatórios dos réus, com o último marcado para 17 de maio. O objetivo é detalhar a participação de cada acusado e produzir provas essenciais para o julgamento.

As pessoas físicas respondem por homicídio duplamente qualificado com dolo eventual em 270 casos, além de crimes ambientais e contra a fauna e a flora. Já as empresas respondem apenas por crimes ambientais.

Posicionamento das empresas

Em nota, a Tüv Süd afirmou que não possui responsabilidade legal pelo rompimento e que suas declarações sobre a estabilidade da barragem seguiram a legislação e padrões técnicos vigentes. A Vale disse que não comenta processos judiciais em andamento.

Com o início das audiências, familiares e sobreviventes esperam que o processo avance e que a Justiça possa finalmente responsabilizar os envolvidos na tragédia que marcou a história de Brumadinho.


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