Iniciativas como a Busca Ativa Nacional buscam facilitar a adoção de crianças que não se encaixam nos padrões tradicionais

por Marina Milani
Publicado em 19/01/2025, às 11h59
Entre os anos de 2023 e 2024, o estado de São Paulo observou uma redução de 10% no número de casos de adoção, conforme dados analisados pelo Metrópoles a partir de informações fornecidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Apesar dessa queda preocupante, diversas famílias da capital paulista continuam a promover a adoção como uma expressão de amor e descoberta.
Pamela Justino, residente em Itaquera, zona leste da cidade, tornou-se mãe adotiva de Karine, uma menina de apenas um ano, após concluir seu processo de adoção em 5 de dezembro do ano passado. Em sua jornada, que começou em 2018, Pamela enfrentou desafios pessoais significativos. "Eu era casada quando iniciei o processo, mas acabei seguindo sozinha após o término do meu relacionamento. Muitas pessoas duvidaram da minha capacidade de adotar por ser solteira, mas sempre mantive minha determinação", contou em entrevista para o Metrópoles.
Após ser habilitada em fevereiro de 2019, Pamela aguardou por cinco anos até que recebeu uma ligação do fórum informando sobre a criança que poderia se tornar sua filha. "A primeira vez que vi sua foto foi por chamada de vídeo; estava emocionada. Em seguida, consegui realizar a primeira visita pessoalmente após 15 dias", recorda com carinho.
O encontro entre Pamela e Karine foi marcado por um afeto instantâneo. "Ela me olhou curiosa e logo veio ao meu colo. A adaptação foi tranquila; não houve choros, apenas sorrisos e brincadeiras", relata. Para ela, essa experiência transformou sua vida. "A espera não é nada quando o amor é tudo", afirma com alegria.
Em abril, Pamela obteve a guarda provisória da criança. "Quando voltei para casa com ela, tudo foi mágico; nossa conexão é tão forte que é difícil descrever. Para mim, adotar é acreditar que a história é mais importante que laços biológicos", conclui.
Outro caso notável é o da professora Maria Cecilia Gonsalves, de 37 anos. Natural do Paraná e residente em Indaiatuba, ela compartilha que sempre sonhou em ser mãe através da adoção ao lado do marido Felipe Rogério Gonsalves. O processo começou em julho de 2019 e se estendeu até novembro de 2024, resultando na adoção das filhas Carolina e Jade.
"O processo foi exaustivo e demorado; cheguei a pensar em desistir. Contudo, assim que suas vidas se cruzam com a sua, é uma experiência indescritível", celebra Maria Cecilia.
A Busca Ativa Nacional é uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) destinada a facilitar a adoção de crianças que não se enquadram nos padrões mais procurados pelos pretendentes. Atualmente, existem cerca de 4.930 crianças disponíveis para adoção no Brasil, das quais 1.356 estão na categoria ativa.
A assistente social Gisele Oliveira ressalta que a escolha das crianças para adoção cabe ao Judiciário. Ela enfatiza a importância da conscientização sobre as necessidades das crianças em busca de família: "É crucial priorizar as crianças que necessitam de uma família em vez das preferências específicas dos adotantes".
No contexto da adoção, também existe o conceito de "família acolhedora", onde indivíduos ou casais recebem temporariamente crianças sem intenção imediata de adotá-las. Este serviço visa oferecer cuidados personalizados enquanto busca reintegrar as crianças em um ambiente familiar.
Para tornar-se uma família acolhedora no Brasil, há requisitos específicos: ter mais de 21 anos, estar saudável e ter condições emocionais adequadas para cuidar temporariamente das crianças. Atualmente, apenas 6% das mais de 33 mil crianças acolhidas no país estão sob os cuidados dessas famílias.
Gisele Oliveira gerencia um serviço dedicado à criação de famílias acolhedoras na região sul da cidade e observa: "Infelizmente, há uma falta significativa na divulgação desse modelo familiar e um engajamento insuficiente dos municípios nesse trabalho fundamental".
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