Diário de São Paulo
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Crimes Históricos

Projeto na Câmara quer mudar nomes de ruas ligados a feminicidas

Entre as propostas, está a mudança da Rua Peixoto Gomide para Rua Sophia Gomide, em homenagem à filha assassinada pelo ex-senador em 1906

Projeto na Câmara quer mudar nomes de ruas ligados a feminicidas - Imagem: Reprodução / TV Globo
Projeto na Câmara quer mudar nomes de ruas ligados a feminicidas - Imagem: Reprodução / TV Globo

William Oliveira Publicado em 12/03/2026, às 09h30


Um conjunto de propostas em análise na Câmara Municipal de São Paulo busca alterar o nome de ruas da capital paulista que homenageiam homens ligados a casos históricos de feminicídio. A iniciativa faz parte de um movimento que pretende revisar homenagens em espaços públicos e valorizar a memória de mulheres vítimas desses crimes.

Entre os casos em debate está o da Rua Peixoto Gomide, localizada entre os bairros Bela Vista e Jardim Paulista, na região central de São Paulo. Um projeto apresentado pelas vereadoras Luna Zarattini (PT) e Silvia da Bancada Feminista (PSOL) propõe que a via passe a se chamar Rua Sophia Gomide.

A proposta foi aprovada na quarta-feira (11) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por avaliar a legalidade dos projetos antes de serem votados em plenário. A mudança busca rever a homenagem ao ex-senador Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, que matou a própria filha, Sophia Gomide, em 1906 por não aceitar o casamento dela.

Retrato de Peixoto Gomide pintado por Almeida Júnior – Imagem: Reprodução / Pinacoteca de São Paulo
Retrato de Peixoto Gomide pintado por Almeida Júnior – Imagem: Reprodução / Pinacoteca de São Paulo

Outro caso citado nas discussões envolve a Rua Moacir Piza, no bairro Cerqueira César. A proposta é que o nome da via seja alterado para Nenê Romano, mulher assassinada em 1923 pelo então companheiro Moacir Piza.

Também há sugestão de mudança para a Rua Alberto Pires, localizada no bairro Pirituba, na Zona Norte da cidade. Nesse caso, o projeto prevê que a rua passe a se chamar Dona Leonor de Camargo Cabral.

As propostas fazem parte da campanha “Feminicida não é herói”, que reúne iniciativas voltadas a impedir que pessoas envolvidas em feminicídios continuem sendo homenageadas em ruas, praças e outros espaços públicos.

Além das mudanças de nomes já existentes, outro projeto em tramitação na Câmara Municipal de São Paulo pretende impedir que novas vias recebam nomes de pessoas envolvidas nesse tipo de crime. O Projeto de Lei 483/2025 já foi aprovado em primeira votação e ainda precisa passar por uma segunda análise dos vereadores.

Caso seja aprovado definitivamente, o texto seguirá para sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB).


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