Professores exigem 44% de reajuste salarial e criticam a gestão atual por não atender suas demandas e necessidades

William Oliveira Publicado em 20/03/2025, às 08h00
Os educadores da rede municipal de São Paulo anunciaram uma série de protestos e paralisações a partir da próxima semana. O movimento reivindica um reajuste salarial e a eliminação dos descontos nos vencimentos dos aposentados.
As manifestações ocorrerão em datas definidas em diferentes diretorias regionais de ensino. Nos dias programados, os professores das escolas dessas regiões que aderirem à mobilização não ministrarão aulas. Uma paralisação geral está prevista para 30 de abril, abrangendo toda a rede municipal.
Confira as datas e regiões afetadas:
A decisão foi formalizada em assembleia na quarta-feira (19), durante um protesto em frente à Prefeitura.
Embora a data-base do reajuste salarial seja maio, os sindicatos anteciparam as negociações este ano. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Unidades de Educação Infantil (Sedin), Claudete Alves da Silva, destacou que as paralisações são uma resposta à falta de posicionamento da prefeitura dentro do prazo estipulado.
"Queremos abrir um canal de negociação e evitar uma greve prolongada que prejudique a população", afirmou.
Reivindicações
Os professores exigem um reajuste de 44% para recompor perdas salariais acumuladas. Segundo a categoria, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) concedeu aumento apenas aos docentes que recebem o piso e implementou abonos complementares restritos a uma parcela dos profissionais.
Com isso, os professores mais experientes, que representam a maioria, tiveram apenas a correção de 2,16% prevista para 2024. Outras reivindicações incluem:
A resposta da Prefeitura
O prefeito Ricardo Nunes afirmou não saber os motivos das paralisações. "Eu não sei qual é o motivo dessa paralisação. Espero que não seja algo político, porque quem sofre são os nossos alunos", disse, alegando que não recebeu demandas da categoria.
Claudete Alves rebateu, afirmando que a prefeitura foi informada desde fevereiro. "Ele não foi surpreendido. Temos anunciado esse calendário desde fevereiro", enfatizou.
As Secretarias Municipais de Gestão e Educação afirmaram que mantêm diálogo com os sindicatos e que as demandas estão sendo analisadas. O secretário da Educação, Fernando Padula, reconheceu o direito à manifestação, mas alertou sobre o impacto na educação. "Paralisações são medidas extremas; apelo à consciência coletiva", disse.
Ação judicial
Na véspera do primeiro protesto, a Secretaria da Educação anunciou que faltas não justificadas resultariam em desconto salarial. Pais foram orientados a contatar as diretorias regionais em caso de escolas fechadas.
Sindicatos e opositores classificaram a medida como antissindical. A vereadora Silvia Ferraro (PSOL) afirmou que a Bancada Feminista do partido pretende acionar a Justiça contra a decisão. "Essa ameaça configura assédio e prática antissindical", concluiu.
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