Diário de São Paulo
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Extorsão

Policiais aposentados e ativos são denunciados por extorsão no Brás; esquema criminoso revela milícia organizada em SP

Os valores exigidos chegavam a R$ 15 mil anuais, além de R$ 300 por semana

Investigações revelam extorsão de policiais aposentados e ativos em SP, cobrando até R$ 15 mil de ambulantes. 16 denunciados, 9 presos. - Imagem: Reprodução | g1
Investigações revelam extorsão de policiais aposentados e ativos em SP, cobrando até R$ 15 mil de ambulantes. 16 denunciados, 9 presos. - Imagem: Reprodução | g1

por Marina Milani

Publicado em 25/12/2024, às 09h37


Uma investigação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelas corregedorias das polícias Militar e Civil revelou um esquema de extorsão envolvendo policiais aposentados e agentes ativos, que cobravam quantias exorbitantes de vendedores ambulantes, principalmente estrangeiros, na região do Brás, em São Paulo. Os valores exigidos chegavam a R$ 15 mil anuais, além de R$ 300 por semana.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou uma denúncia à Justiça contra 16 indivíduos, entre os quais se destacam dois policiais militares aposentados e uma policial civil. As acusações incluem formação de milícia privada, lavagem de dinheiro e extorsão, refletindo a gravidade das ações perpetradas contra os ambulantes da área.

Dentre os denunciados, figuram também esposas de policiais militares ativos e diversos outros indivíduos que compunham a estrutura criminosa. Algumas das pessoas implicadas estão associadas a organizações que representam os vendedores ambulantes. Um dos acusados é natural do Peru.

Até o momento, a Justiça não se manifestou sobre a aceitação da denúncia, sendo que, se acolhida, os réus serão formalmente processados. Nove pessoas já foram presas preventivamente em decorrência das investigações conduzidas pelo Gaeco.

Ainda há pessoas foragidas que são alvo de mandados de prisão; no entanto, o total exato de indivíduos com mandados abertos não foi revelado. A equipe jornalística está em busca de contato com os advogados dos investigados.

Os fatos emergiram durante a "Operação Aurora", que ocorreu no dia 16 de dezembro. Durante essa ação, as forças policiais realizaram prisões e apreensões de documentos e dispositivos eletrônicos utilizados pelos criminosos. Essa operação teve como base denúncias feitas por ambulantes que relataram extorsões e ameaças à segurança pessoal.

De acordo com relatos obtidos pelo MP, um grupo criminoso começou a exigir pagamentos substanciais dos trabalhadores informais para garantir sua permissão para operar na área. A investigação também revelou a participação de uma escrivã da Polícia Civil que foi flagrada em ações coercitivas contra os ambulantes.

Na operação mencionada, foram detidos cinco policiais militares; no entanto, nem todos estavam entre os denunciados posteriormente pelo MP. Os promotores afirmaram que o grupo agia como uma milícia organizada, utilizando suas posições oficiais para intimidar e extorquir comerciantes.

Durante as buscas realizadas nas residências dos envolvidos, as autoridades apreenderam R$ 145 mil em espécie. Além disso, oito empresas e 21 indivíduos tiveram seus sigilos bancário e fiscal quebrados como parte da investigação.

A continuidade deste caso permanece sob acompanhamento das autoridades judiciais e do Ministério Público, à medida que mais detalhes sobre o esquema criminoso vêm à tona.


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