O assassinato do empresário aconteceu na última sexta-feira (08)

Manoela Cardozo Publicado em 09/11/2024, às 14h23
Quatro policiais militares, contratados para realizar a escolta privada do empresário Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, foram afastados de suas funções neste sábado (09), após o assassinato do empresário no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, ocorrido na última sexta-feira (08).
Gritzbach, que atuava como delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), havia colaborado com investigações sobre o crime organizado e era réu por lavagem de dinheiro da facção criminosa paulista.
De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), os policiais Leandro Ortiz, Adolfo Oliveira Chagas, Jefferson Silva Marques de Sousa e Romarks César Ferreira de Lima prestaram depoimentos ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz as investigações e à Corregedoria da PM. Os celulares dos agentes também foram apreendidos para averiguação.
Conforme fontes da investigação, uma das hipóteses consideradas é que os seguranças de Gritzbach possam ter facilitado o crime, informando aos assassinos o momento exato em que ele deixaria o aeroporto. A apreensão dos celulares dos policiais tem como objetivo verificar eventuais contatos realizados momentos antes do ataque.
Durante os depoimentos, os quatro policiais alegaram que o veículo que buscaria o empresário teria quebrado no trajeto, o que fez com que apenas um dos agentes fosse ao aeroporto em outro carro, enquanto os outros permaneceram junto ao automóvel supostamente avariado.
De acordo com o relato de um investigador à TV Globo, a escolha de manter três seguranças junto ao carro quebrado, em vez de priorizar a escolta completa ao delator, levanta suspeitas. “O mais lógico teria sido eles deixarem o carro quebrado para trás e os quatro seguranças irem ao aeroporto buscar o homem”, afirmou a fonte.
A SSP informou que a namorada de Gritzbach, que presenciou o atentado, foi conduzida ao DHPP para prestar depoimento. Ela estava com ele no Terminal 2 do aeroporto no momento do ataque. Os dois carros usados pela escolta e um terceiro veículo, supostamente utilizado pelos atiradores, foram apreendidos e periciados.
Durante a execução, outras três pessoas ficaram feridas: dois motoristas de aplicativo, de 39 e 41 anos, e uma mulher de 28 anos, que estava na calçada. Eles foram encaminhados ao Hospital Geral de Guarulhos; enquanto a mulher recebeu alta, os homens permanecem internados. Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, além de corretor de imóveis no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, também era acusado de envolvimento na lavagem de R$ 30 milhões provenientes do tráfico de drogas do PCC.
Nos últimos meses, ele havia delatado esquemas internos da facção, incluindo operações de compra e venda de imóveis e postos de gasolina, levantando suspeitas de que sua morte possa ter sido uma queima de arquivo. Informações obtidas pelo Ministério Público (MP) indicam que Gritzbach teve influência nas “células” do PCC e participava do “tribunal do crime” para definir o destino de membros desleais. O MP ainda confirmou que ofereceu diversas vezes proteção ao empresário, que recusou as propostas.
A defesa de Gritzbach aguarda a conclusão das investigações para emitir um posicionamento. Atualmente, os suspeitos envolvidos no ataque continuam foragidos.
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