Candidatos precisam atender a rigorosos requisitos para integrar a unidade especializada, conhecida como "restrita tática"

William Oliveira Publicado em 26/01/2025, às 15h51
O Primeiro Comando da Capital (PCC) está mobilizando uma unidade especializada, conhecida como "restrita tática", com o objetivo de confrontar o Bando do Magrelo na região de Rio Claro. Para integrar esse grupo seleto, os candidatos devem atender a rigorosos requisitos e participar de um processo seletivo que envolve atividades criminosas.
Designada como o braço operacional do setor de inteligência da facção, a Sintonia Restrita é responsável por planejar operações complexas, incluindo ataques a figuras públicas. Entre os planos mais notórios elaborados está o atentado contra o senador Sergio Moro e o promotor Lincoln Gakiya, ambos vinculados ao Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A liderança desse setor estratégico está nas mãos de Pedro Luiz da Silva Soares, conhecido como Chacal, um dos principais nomes do PCC fora do sistema prisional. Após cumprir uma pena de nove anos por crimes como roubo e formação de quadrilha, Chacal foi liberado da Penitenciária Federal de Mossoró em outubro de 2023.
Fontes da Polícia Militar (PM) revelam que o "edital" para integrar a restrita tática exige habilidades avançadas no manuseio de armamentos pesados e experiência anterior em operações de controle territorial, refletindo práticas do "novo cangaço". Aqueles selecionados ainda passarão por treinamentos em estandes de tiro e simulações em campos específicos.
A decisão de deslocar essa força para Rio Claro é uma resposta direta às ações violentas do Bando do Magrelo, liderado por Anderson Ricardo de Menezes. Desde a ascensão dessa gangue, estima-se que pelo menos 30 membros do PCC tenham sido assassinados na região, e o grupo expandiu sua influência para ao menos oito cidades.
O crescimento do poderio do Bando do Magrelo levou seu líder a se autodenominar o "novo Marcola", uma referência a uma das figuras mais icônicas da criminalidade paulista.
As forças policiais têm observado um possível enfraquecimento da hegemonia do PCC no tráfico de drogas em São Paulo, devido à transferência de líderes para prisões federais e ao aumento das apreensões. No entanto, especialistas acreditam que a emergência de grupos como o Bando do Magrelo pode indicar uma mudança nas prioridades da facção.
Segundo promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o PCC parece estar focando seus esforços no mercado internacional, especialmente na Europa, em detrimento das operações locais. Essa estratégia implica uma redução significativa no envolvimento com o varejo de drogas em São Paulo.
O tráfico internacional, particularmente relacionado à pasta base de cocaína, representa atualmente cerca de dois terços das atividades lucrativas do PCC. As rotas utilizadas para exportar drogas pelo Porto de Santos são consideradas cruciais para a operação da facção, que gera um lucro estimado em R$ 11 bilhões anualmente.
Bruno Paes Manso, pesquisador da Universidade de São Paulo, observa que o domínio territorial não é um objetivo central para o PCC. Em vez disso, a facção mantém controle sobre as redes logísticas que garantem a distribuição das drogas até os pontos estratégicos destinados à exportação.
"O foco do PCC hoje é realmente o mercado internacional. O controle que eles exercem é eventualmente sobre rotas do tráfico, dos Andes até a Europa. Não é que eles controlam um território, eles controlam a rede de fornecimento da droga", conclui Manso.
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