Mesmo após recuperação durante o verão, sistema que abastece a Grande São Paulo está com reservas reduzidas e risco de agravamento

Lívia Gennari Publicado em 21/03/2026, às 08h06
O início do outono, nesta sexta-feira (20), traz um sinal de atenção para o abastecimento hídrico em São Paulo. De acordo com a Sabesp, o sistema integrado que atende a região metropolitana opera com 56% da capacidade, o menor patamar para esta época do ano desde 2017.
Apesar da melhora em relação ao fim da primavera, quando o volume estava em apenas 27%, o nível atual ainda é considerado baixo para o período pós-verão, tradicionalmente marcado pelo acúmulo de água nas represas. A recuperação recente foi impulsionada pelas chuvas dos últimos meses, que elevaram principalmente os índices de reservatórios como Guarapiranga e Billings, hoje próximos da capacidade máxima.
Ainda assim, o cenário segue preocupante, especialmente no Sistema Cantareira, responsável por abastecer cerca de 8,8 milhões de pessoas. O conjunto de represas opera com aproximadamente 43% do volume, um avanço em relação aos pouco mais de 20% registrados no início do verão, mas ainda distante de uma condição confortável.
Dados históricos mostram uma tendência de queda nos níveis do Cantareira nos últimos anos para este mesmo período. Em 2023, o sistema estava próximo de 80% da capacidade. Desde então, os índices vêm recuando gradualmente, reforçando a preocupação com a segurança hídrica da região.
A chegada da estação seca agrava o cenário. Projeções do Cemaden indicam que, mesmo com chuvas dentro da média, os reservatórios podem encerrar setembro em nível de alerta, com cerca de 40% da capacidade. O risco de uma estiagem mais severa também foi apontado pelo Inmet, que prevê condições climáticas que podem dificultar a recuperação dos mananciais nos próximos meses.
Diante desse cenário, o sistema de abastecimento já opera sob restrições desde agosto do ano passado. A redução da pressão da água durante a noite, medida adotada para conter perdas e preservar os reservatórios, segue em vigor por determinação da Arsesp.
Segundo a Sabesp, a estratégia tem contribuído para mitigar parte dos impactos da escassez. A companhia também afirma que realiza investimentos em infraestrutura para ampliar a segurança hídrica da região.
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