Ex-atleta, que ficou tetraplégica após acidente em 2014, emociona ao caminhar com auxílio de órtese e reforça esperança em avanços científicos no tratamento de lesões medulares.

Ana Beatriz Publicado em 17/04/2026, às 13h04
Lais Souza, ex-ginasta brasileira, fez sua primeira aparição pública em pé desde o acidente que a deixou tetraplégica em 2014, durante um evento em São Paulo, simbolizando um avanço significativo em sua reabilitação e na pesquisa científica sobre lesões na medula espinhal.
O acidente ocorreu enquanto Lais treinava para os Jogos Olímpicos de Inverno, resultando em uma lesão severa na coluna cervical, e desde então, ela se tornou um símbolo de resiliência, apoiada por campanhas e mobilizações sociais.
A presença de Lais no evento, onde entregou um prêmio a uma pesquisadora que estuda a polilaminina, destaca a importância da integração entre tecnologia e reabilitação, além de reacender discussões sobre os limites da recuperação humana e o papel da ciência na transformação de vidas.
A ex-ginasta brasileira Lais Souza protagonizou um dos momentos mais marcantes do ano ao surgir de pé em público pela primeira vez desde o grave acidente que mudou sua vida, em 2014. A cena ocorreu na última quinta-feira (16), durante um evento de tecnologia e inovação realizado em São Paulo, e rapidamente ganhou repercussão nacional.
Com o auxílio de uma órtese — equipamento que auxilia na sustentação e movimentação do corpo —, Lais entrou caminhando no palco para entregar um prêmio à pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável por estudos com a polilaminina, uma proteína considerada promissora no tratamento de lesões na medula espinhal.
A aparição simboliza um avanço significativo não apenas no processo de reabilitação da ex-atleta, mas também no campo científico, ao conectar sua história diretamente com pesquisas que podem transformar o futuro de pacientes com lesões semelhantes.
Relembre o acidente que mudou sua trajetória
Em janeiro de 2014, Lais Souza sofreu um grave acidente durante um treinamento de esqui aéreo nos Estados Unidos, modalidade para a qual se preparava visando os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi. Na ocasião, a atleta colidiu contra uma árvore e teve uma lesão severa na coluna cervical, que a deixou tetraplégica.
Desde então, Lais iniciou uma longa e intensa jornada de reabilitação, passando por tratamentos no Brasil e no exterior, com apoio de campanhas públicas e mobilização de fãs, atletas e instituições. Ao longo dos anos, ela se tornou símbolo de resiliência, compartilhando sua rotina de recuperação e evolução nas redes sociais.
Ciência, tecnologia e esperança
O momento vivido no palco ganha ainda mais relevância pelo contexto científico. A polilaminina, estudada por Tatiana Sampaio, é uma proteína que tem sido analisada por sua capacidade de estimular a regeneração de conexões neurais, podendo futuramente contribuir para tratamentos de lesões medulares.
A presença de Lais no evento, caminhando mesmo que com auxílio, reforça a importância da integração entre tecnologia, pesquisa e reabilitação. Especialistas apontam que avanços em bioengenharia, neurociência e dispositivos assistivos vêm ampliando as possibilidades de recuperação funcional em pacientes com quadros antes considerados irreversíveis.
Emoção e marco pessoal
Nas redes sociais, Lais Souza compartilhou a emoção do momento e destacou o impacto pessoal da conquista. “Foi a primeira vez que apareço de pé em público e deu muito frio na barriga”, escreveu. A declaração reflete não apenas o simbolismo do gesto, mas também o peso emocional de um marco que representa anos de esforço, disciplina e superação.
Um novo capítulo
Mais de dez anos após o acidente, o episódio marca um novo capítulo na trajetória de Lais Souza. Ainda que o caminho da recuperação seja contínuo, sua evolução reacende debates sobre os limites da reabilitação humana e o papel da ciência na reconstrução de vidas.
Para além do impacto individual, o momento também reforça uma mensagem coletiva: avanços reais acontecem quando histórias humanas encontram investimento em pesquisa, tecnologia e inovação.
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