Diário de São Paulo
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ESTUPRO

Justiça mantém prisão de Capitão Hunter por estupro de vulnerável

João Paulo Manoel, conhecido como Capitão Hunter, foi detido por envolvimento em estupro de vulnerável e produção de conteúdo pornográfico infantil

Investigação aponta que o influenciador utilizava perfis falsos para se aproximar de crianças e realizar videochamadas com conteúdo sexual - Imagem: Reprodução / Instagram / @capitaohunter
Investigação aponta que o influenciador utilizava perfis falsos para se aproximar de crianças e realizar videochamadas com conteúdo sexual - Imagem: Reprodução / Instagram / @capitaohunter

William Oliveira Publicado em 24/10/2025, às 12h14


O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu, em audiência realizada nesta quinta-feira (23), pela manutenção da prisão do influenciador digital João Paulo Manoel, mais conhecido como Capitão Hunter, de 45 anos.

O youtuber foi detido na quarta-feira (22) na cidade de Santo André, localizada na região metropolitana de São Paulo. As investigações apontam que ele está envolvido em crimes graves, incluindo estupro de vulnerável e produção de conteúdo pornográfico infantil.

Com uma vasta base de seguidores que ultrapassa 1 milhão nas redes sociais, João Paulo Manoel, o Capitão Hunter, realiza gameplays e unboxings (abertura de caixas) relacionados ao universo de Pokémon. Ele também organiza sorteios de cartas raras e mantém um grupo ativo no WhatsApp voltado aos seus inscritos.

Denúncias de menores

A denúncia que resultou na investigação partiu da família de uma menina de 13 anos que mantinha contato frequente com João Paulo por meio de aplicativos como Discord e WhatsApp. Segundo o relato da jovem à polícia, o youtuber teria realizado videochamadas nas quais exibiu seu pênis e pediu que ela mostrasse partes íntimas.

De acordo com os familiares da menina, uma mensagem interceptada enviada por João Paulo dizia:

"Amigos fazem isso, mostram a bunda um para o outro, isso são coisas de amigos e você é minha melhor amiga."

A adolescente também relatou ter sido alvo de múltiplos abusos sexuais ao longo do ano, incluindo pedidos de envio de conteúdos sexualizados em troca de cartas e bichos de pelúcia relacionados ao universo Pokémon. O inquérito revelou que o influencer teria enviado fotos do próprio pênis em diversas ocasiões pelas plataformas mencionadas.

A investigação qualifica João Paulo como "um abusador com elevado grau de periculosidade", que atraía crianças por meio de um perfil falso para estabelecer confiança e, posteriormente, assediá-las. A delegada responsável pelo caso destacou a relevância da investigação, enfatizando que a liberdade do youtuber representa um risco para diversas crianças, dada a forma como ele interage com seu público infantil.

A adolescente conheceu João Paulo em 2023 durante um evento sobre Pokémon no Norte Shopping, no Rio de Janeiro. Desde então, mantiveram contato online após ele prometer apoio à sua carreira nos jogos eletrônicos. O inquérito verificou que, após esse primeiro encontro, os dois tiveram apenas mais um contato pessoal durante outro evento em São Paulo.

A polícia obteve gravações das conversas que confirmam as práticas criminosas atribuídas ao influenciador. A investigação revelou que ele também teria abordado um menino de 11 anos utilizando táticas semelhantes.

Durante a operação policial, todos os dispositivos eletrônicos do suspeito foram apreendidos e a justiça concedeu autorização para a quebra de sigilo dos dados armazenados.


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