Diário de São Paulo
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DECISIVO

Justiça Federal condena General Girão a pagar R$ 2 milhões por atos antidemocráticos

MPF destaca que Girão abusou de sua imunidade parlamentar para promover ataques à ordem democrática e instituições

General Girão (PL-RN) - Imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
General Girão (PL-RN) - Imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Alanis Ribeiro Publicado em 11/01/2025, às 20h27


A Justiça Federal do Rio Grande do Norte condenou o deputado federal General Girão (PL-RN) por danos morais coletivos em razão de sua participação em atos antidemocráticos após as eleições de 2022. O parlamentar foi condenado a pagar uma multa de R$ 2 milhões e a remover, no prazo de dez dias, qualquer publicação em suas redes sociais relacionada a esses eventos.

O juiz federal Janilson de Siqueira considerou suas ações uma grave afronta ao Estado de Direito, afirmando que suas publicações, que disseminaram informações falsas e incitaram violência contra instituições democráticas, comprometeram a legitimidade das eleições e a atuação do Poder Judiciário.

O Ministério Público Federal (MPF) argumentou que Girão abusou de sua liberdade de expressão e imunidade parlamentar ao usar suas redes sociais para promover atitudes contrárias à ordem democrática. O MPF destacou uma postagem feita pelo deputado antes dos ataques de 8 de janeiro de 2023, na qual ele incitava violência contra instituições como o STF, o Congresso e o Palácio do Planalto. Além disso, o MPF sustentou que Girão atuou como articulador e motivador dos atos ilícitos, contribuindo para a tentativa de golpe de Estado.

A sentença também responsabilizou a União, o estado do Rio Grande do Norte e o município de Natal por omissão na proteção à democracia. Estes entes federados foram condenados a pagar uma indenização total de R$ 3 milhões e deverão realizar ações educativas para prevenir futuros atos antidemocráticos. A União também foi obrigada a promover uma cerimônia pública de pedido de desculpas em até 60 dias, com a participação dos comandantes das Forças Armadas, que deverá ser amplamente divulgada.

O MPF ressaltou que uma nota divulgada pelos comandantes das Forças Armadas em novembro de 2022 contribuiu para a normalização dos acampamentos antidemocráticos em frente aos quartéis, criando um ambiente propício para a insurreição. Essa nota fomentou a ideia equivocada de legitimidade para discursos que buscavam a "retomada do poder", o que culminou nos eventos de 8 de janeiro de 2023.

A decisão judicial também criticou o comportamento de altos comandos militares, que agiram de maneira incompatível com a neutralidade política e legalidade exigidas das Forças Armadas. Como parte da sentença, a União foi condenada a implementar um curso de formação para os militares em todo o Brasil, abordando os eventos antidemocráticos de 2022 e reforçando o respeito aos princípios do Estado Democrático de Direito.


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