Decisão beneficia executivos presos em operação que apura lavagem de dinheiro do crime no transporte público; MP SP vai recorrer

Letícia Sales Publicado em 09/01/2026, às 11h48
A Justiça de São Paulo autorizou a soltura do presidente afastado da empresa de ônibus UpBus, Ubiratan Antonio da Cunha, e de seu sócio, Alexandre Salles Brito, conhecido como "Buiú". Os dois foram presos em abril de 2024 durante a Operação Pontes, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital paulista.
De acordo com as investigações do Ministério Público Estadual (MPSP), as empresas UpBus e Transwolff, que operavam linhas nas zonas sul e leste da cidade, transportando juntas cerca de 700 mil passageiros, teriam sido usadas para "esquentar" dinheiro originado de crimes como tráfico de drogas e roubos. O esquema teria como objetivo integrar os recursos ilícitos à economia formal.
A decisão de soltura também beneficiou o advogado Ahmed Hassan Saleh, o "Mude", que, no entanto, permanecerá preso por responder a outro processo relacionado à facção criminosa, com base em delação do ex-investigador Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro do ano passado.
Em nota oficial, o MPSP informou que recorrerá da determinação judicial, argumentando pela manutenção da prisão preventiva dos investigados, considerada necessária para as investigações.
A Prefeitura de São Paulo já havia rompido os contratos com a UpBus e a Transwolff em janeiro de 2024, após as primeiras evidências do suposto envolvimento das empresas com a organização criminosa. O caso expôs a vulnerabilidade do sistema de transporte público a infiltrações do crime organizado e levantou questões sobre os mecanismos de fiscalização de concessionárias do serviço.
A defesa dos executivos comemorou a decisão, enquanto as investigações sobre a extensão do suposto esquema de lavagem de dinheiro e as conexões com o PCC seguem em andamento.
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