Grupo que treinava estelionatários na internet recebe penas que somam quase 70 anos

Gabriela Nogueira Publicado em 08/05/2026, às 16h55
A Justiça de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, condenou quatro homens envolvidos em um esquema criminoso que chamava atenção pela forma de atuação. O grupo, que oferecia uma espécie de “curso” para prática de estelionato, recebeu penas que, somadas, chegam a quase 70 anos de prisão.
A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal na última terça-feira e considerou os réus culpados por organização criminosa e estelionato. As penas individuais variam entre 12 e 24 anos de reclusão, em regime inicial fechado. Um dos condenados também foi sentenciado por posse e comércio ilegal de arma de fogo. Ainda cabe recurso.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo, o grupo operava com estrutura organizada e utilizava ferramentas digitais para invadir sistemas privados, acessar dispositivos eletrônicos e obter dados bancários de vítimas. A partir dessas informações, eram realizadas fraudes financeiras e comercialização de contas e cartões clonados em ambientes clandestinos na internet.
As investigações apontaram ainda que o esquema funcionava por meio de plataformas ocultas e aplicativos de mensagens, onde os integrantes negociavam dados e ofereciam produtos ligados às atividades ilícitas. O grupo também era responsável por criar contas bancárias falsas usadas para movimentar valores obtidos de forma ilegal.
O líder da organização, preso em 2024 durante uma operação policial, teria papel central na estrutura do esquema. Segundo o Ministério Público, ele era responsável por treinar novos integrantes e ensinar técnicas de fraude digital, funcionando como uma espécie de instrutor dentro da rede criminosa.
Durante a operação que desarticulou o grupo, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em diferentes endereços. Foram recolhidos computadores, celulares, grande quantidade de chips telefônicos, máquinas de cartão, anotações com instruções de golpes, além de armas e munições.
As autoridades informaram que três dos envolvidos foram presos ao longo da investigação, enquanto um dos acusados segue foragido. O caso é tratado como um exemplo de atuação estruturada do crime digital, com divisão de funções e uso de tecnologia para ampliar o alcance das fraudes.
A decisão judicial reforça o entendimento de que a organização criminosa atuava de forma profissionalizada, com métodos sistemáticos de recrutamento e treinamento, o que agravou a pena aplicada aos envolvidos.
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