Líderes das facções afirmam que o respeito à vida humana deve prevalecer, encerrando compromissos mútuos

por Marina Milani
Publicado em 30/04/2025, às 10h35
Recentes comunicações interceptadas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) indicam um possível rompimento da aliança jurídica entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Em mensagens enviadas no dia 28, líderes de ambas as facções declararam que não mantêm mais qualquer tipo de compromisso mútuo, enfatizando que "o respeito à vida humana deve estar acima de tudo".
Historicamente, PCC e CV uniram forças para fortalecer suas posições dentro do sistema prisional brasileiro. Em fevereiro deste ano, serviços de inteligência revelaram que ambos os grupos estavam coordenando esforços legais para pressionar por benefícios, como visitas íntimas, para seus membros encarcerados em presídios federais.
Uma mensagem atribuída ao PCC reitera que o objetivo primordial da aliança foi "poupar vidas, especialmente de pessoas inocentes", com o lema "o crime fortalece o crime". A facção afirmou estar aberta ao diálogo com todos que compartilham a busca pela paz.
Por outro lado, o CV declarou em sua comunicação que a partir do dia 28 não haveria mais aliança com o PCC, reafirmando seu compromisso com princípios baseados em honra e responsabilidade. O relatório da Secretaria Nacional de Políticas Penais sugere que essa aliança poderia ter implicações além do âmbito jurídico.
O promotor Lincoln Gakiya, que acompanha as atividades do PCC desde o início dos anos 2000, expressou ceticismo quanto à durabilidade dessa trégua. Para ele, as diferenças estruturais entre as facções dificultam uma colaboração estável. O PCC opera sob uma liderança centralizada e unificada, enquanto o CV apresenta uma autonomia maior entre suas células estaduais, resultando em potenciais conflitos de interesses.
A primeira confirmação da trégua ocorreu em fevereiro, quando informações sobre a união foram descobertas em celulares de membros das facções. A negociação foi facilitada por advogados que visitaram os líderes encarcerados nos presídios federais de Brasília e Catanduvas.
A GloboNews teve acesso a mensagens apreendidas em operações policiais em diversos estados brasileiros, incluindo Mato Grosso e Amazonas, que revelam detalhes sobre a colaboração temporária entre os grupos. Após a assinatura do acordo entre os líderes Marcola (PCC) e Marcinho VP (CV), um "salve" foi disseminado para alertar os membros das facções sobre a nova ordem nacional.
A continuidade desse cenário de tensão e possíveis novos desdobramentos entre as facções será acompanhada de perto pelas autoridades competentes.
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