Com mais de 24 mil acidentes registrados em agosto, especialistas alertam sobre o aumento da população de escorpiões

Gabriela Thier Publicado em 07/08/2025, às 19h29
Residentes do Parque Santa Edwiges, localizado na região do Grajaú, na Zona Sulde São Paulo, estão em estado de alerta devido a uma crescente infestação de escorpiões em um terreno abandonado no bairro. Os aracnídeos têm sido encontrados em diversos locais dentro das residências, incluindo pias, banheiros, garagens e até mesmo no lixo doméstico.
De acordo com os moradores locais, o terreno abriga imóveis que foram interditados em dezembro de 2023 devido ao risco de desabamento. Uma obra inicial foi iniciada, mas acabou sendo interrompida, resultando na acumulação de lixo e entulho que favorece a proliferação dos escorpiões.
José Alves dos Santos, um jardineiro da área, relatou que já encontrou cinco escorpiões somente na frente de sua casa, além de três na rua. Cláudio Sebastião Gonçalves, morador há 20 anos ao lado do terreno, expressou preocupação: "Minha esposa encontrou quatro ou cinco escorpiões em nossa garagem, banheiro e cozinha. A situação parece piorar a cada dia. É necessário tomar providências e realizar uma limpeza no local", afirmou o mecânico.
A época do ano é um fator crítico nesse aumento da população de escorpiões. Especialistas alertam que os meses de agosto e setembro são os mais favoráveis para a reprodução desses animais. Durante esse período, as fêmeas costumam ter uma quantidade maior de veneno e ficam mais ativas na busca por alimento.
Somente na primeira semana de agosto deste ano, foram registrados mais de 24 mil acidentes envolvendo escorpiões em todo o estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde.
Tatiana Lang D'Asgostine, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do estado, destacou que "os escorpiões preferem ambientes quentes e úmidos. O atual período com pouca chuva favorece sua proliferação, especialmente em locais onde há acúmulo de lixo e entulho".
Infelizmente, casos graves têm ocorrido; no último domingo (4), um menino de apenas 10 anos perdeu a vida após ser picado enquanto brincava em uma quadra esportiva em São José do Rio Preto. Também foram relatados surtos do animal em Perdizes, na Zona Oeste da capital paulista, e a semana passada viu três escorpiões serem descobertos dentro da piscina de um condomínio na mesma região.
Para prevenir picadas de escorpiões, as autoridades alertam sobre o risco associado ao escorpião amarelo, cujo veneno pode ser letal para crianças menores de 10 anos. Em caso de picada, recomenda-se não espremer ou cortar o local afetado e não aplicar torniquetes. O procedimento correto é lavar a área com água e sabão, aplicar uma compressa morna e buscar imediatamente atendimento médico.
Embora levar o escorpião ou uma foto dele possa ajudar na identificação, isso não é obrigatório. Nem todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) possuem atendimento especializado para esses casos. No estado de São Paulo, existem 228 hospitais referência que dispõem do soro antiescorpiônico.
No mês passado, o governo estadual lançou uma ferramenta interativa que permite consultar casos por cidade e identificar unidades disponíveis com soro antiveneno.
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