Edmilson Souza de Oliveira, de 50 anos, foi preso na quinta-feira (26), em São Paulo, durante operação que investiga lavagem de dinheiro ligada ao Banco Master

William Oliveira Publicado em 27/03/2026, às 11h07 - Atualizado às 11h32
Uma operação conjunta da Polícia Militar de São Paulo e da Polícia Federal resultou, na quinta-feira (26), na prisão de Edmilson Souza de Oliveira, de 50 anos, em um apartamento localizado na Rua Luiz Migliano, na região da Vila Andrade, zona sul da capital.
Investigado por lavagem de dinheiro e associação criminosa, Oliveira é apontado como uma peça estratégica na conexão entre o sistema financeiro e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão temporária, com prazo de 30 dias, foi autorizada pela 5ª Vara Federal de Santos, que também determinou a apreensão de equipamentos eletrônicos, como celulares e computadores, para análise pericial.
O nome do investigado surge em meio ao processo de liquidação extrajudicial do Banco Master, decretado pelo Banco Central em novembro de 2025. A instituição enfrentava uma grave crise de liquidez, que comprometeu sua capacidade de honrar compromissos diários, passando a depender de recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para manter as operações.
Antes do colapso definitivo, houve uma tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB), que não avançou. O entrave principal foi o elevado passivo da instituição, superior a R$ 50 bilhões, aliado à falta de garantias que viabilizassem a transferência de controle.
Além das fragilidades financeiras, o caso ganhou contornos políticos. Apurações da Polícia Federal indicam a possível atuação de agentes públicos para influenciar decisões regulatórias e facilitar operações consideradas de alto risco.
Essas suspeitas são investigadas no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um rombo estimado em R$ 40 bilhões no sistema financeiro nacional.

No dia 4 de março, o empresário Daniel Vorcaro, apontado como dono do banco, foi preso em sua residência, no bairro dos Jardins, em São Paulo. No mesmo dia, o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e considerado o segundo nome na estrutura investigada, apresentou-se às autoridades.
Ambos tiveram as prisões preventivas mantidas por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso após o afastamento de Dias Toffoli, diante de possíveis vínculos com investigados.
Após passarem pelo sistema prisional paulista, os dois foram transferidos para a Penitenciária de Potim, no interior do estado. Posteriormente, Vorcaro foi encaminhado para um presídio federal em Brasília, onde permanece sob custódia em regime de isolamento, à disposição da Justiça.
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