Crime ocorreu neste domingo (7), e resultou no roubo de 13 gravuras raras, incluindo obras de Henri Matisse e Candido Portinari, após dois homens armados invadirem a Biblioteca Mário de Andrade; ninguém foi preso

William Oliveira Publicado em 08/12/2025, às 07h37
A Biblioteca Mário de Andrade, a segunda maior do Brasil e principal biblioteca pública da cidade de São Paulo, foi alvo de um audacioso roubo na manhã do último domingo (7). Dois homens armados invadiram o local, renderam os seguranças e levaram obras de arte de grande valor histórico e cultural.
Segundo informações da Prefeitura de São Paulo, entre as peças furtadas estão gravuras de renomados artistas como Henri Matisse e Candido Portinari. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa informou, em nota, que foram levadas oito gravuras de Matisse e cinco de Portinari, estas últimas pertencentes à célebre obra “Menino de Engenho”.
As peças integravam a exposição “Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade”, realizada em parceria com o Museu de Arte Moderna (MAM) e que estava em sua fase final.
Entre as gravuras de Matisse furtadas estão:
Já as cinco gravuras de Candido Portinari fazem parte da série produzida para ilustrar a edição de “Menino de Engenho”, de José Lins do Rego, lançada em 1959 pela Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil. A lista específica das obras furtadas não foi divulgada.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a dupla rendeu uma vigilante e um casal de idosos que visitava a biblioteca. Em seguida, seguiram até a cúpula de vidro, onde estavam os documentos. Eles colocaram os documentos e oito quadros em uma sacola de lona e fugiram pela saída principal. Logo após o ocorrido, os vigilantes correram para pedir ajuda a policiais militares que patrulhavam a região, mas os suspeitos não foram localizados.
De acordo com relatos, logo após o roubo, os criminosos fugiram em direção à estação Anhangabaú do metrô. Os vigilantes acionaram policiais militares que patrulhavam a área, mas os suspeitos não foram encontrados. Até o momento, nenhuma prisão foi realizada.
Após o ocorrido, a Guarda Civil Municipal (GCM) reforçou o policiamento no entorno da biblioteca.
O caso está sendo registrado no 2º DP (Bom Retiro) e será investigado pela 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco).
Em 2006, a instituição já havia registrado o desaparecimento de diversas obras raras do acervo, levantando suspeitas de atuação de quadrilhas especializadas, possivelmente com apoio interno. O caso mais emblemático envolveu 12 gravuras coloridas do livro “Souvenirs de Rio de Janeiro”, do artista suíço Johann Jacob Steinmann (1834-1835).
As obras ficaram desaparecidas por quase 20 anos e foram recuperadas apenas em 2024, após serem rastreadas em um leilão em Londres durante uma força-tarefa internacional.
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