Tarcísio de Freitas critica falta de investimentos da Enel e pede reestruturação do contrato de concessão

Gabriela Thier Publicado em 18/08/2025, às 18h17
Na última segunda-feira (18), o governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, representante do partido Republicanos, manifestou uma posição veemente contra a continuidade do contrato de concessão da Enel, a empresa responsável pela distribuição de energia elétrica em 24 municípios da Região Metropolitana paulista. Durante sua declaração, Tarcísio enfatizou que tanto o governo federal quanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não deveriam considerar a prorrogação desse acordo.
O governador criticou a Enel por sua falta de investimentos, tanto em capital (Capex) quanto em operações (Opex). Ele argumentou que a empresa não realiza os aportes necessários porque a qualidade dos serviços prestados não é devidamente refletida nas tarifas cobradas aos consumidores. "Como a qualidade do serviço não gera receita, a empresa acaba não investindo", afirmou Tarcísio, apontando que a Enel opera como uma geradora de caixa sem comprometer-se com as melhorias essenciais.
De acordo com o governador, os serviços fornecidos pela concessionária são considerados "extremamente ruins" e "ultrapassados". Ele destacou que os dois principais indicadores de desempenho, a Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e a Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC), são facilmente alcançados devido à inclusão de expurgos para condições climáticas adversas. Essa situação permite que a empresa evite os investimentos críticos. Tarcísio também mencionou que as longas esperas para religação durante apagões, frequentemente causadas por fenômenos naturais como tempestades e ventos fortes, refletem uma clara falta de investimento em infraestrutura, mão de obra e automação adequada.
Em sua visão, uma reestruturação na concessão seria necessária. O governador sugeriu que o atual contrato poderia ser dividido em pelo menos duas novas concessões e defendia um modelo contratual que efetivamente vinculasse os investimentos às obrigações da empresa ao longo do tempo. "É essencial que estabeleçamos um novo contrato que realmente cobre os investimentos necessários e as servidões", destacou.
Por fim, Tarcísio reiterou que São Paulo não pode aceitar uma prorrogação do contrato vigente, especialmente em um momento em que a recuperação da capacidade de investimento é vital para as administrações públicas do estado.
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