Ex-noviço aponta discurso discriminatório em pregações; defesa ainda não se manifestou

Letícia Sales Publicado em 06/05/2026, às 11h28
Um ex-noviço formalizou uma denúncia junto ao Ministério Público de São Paulo contra o religioso Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, por declarações consideradas discriminatórias em relação a pessoas LGBT+ e mulheres.
A iniciativa partiu do jornalista e escritor Brendo Silva, que reuniu trechos de falas feitas pelo frei em homilias, entrevistas e publicações nas redes sociais. Segundo ele, o religioso utiliza termos e conceitos que associam a homossexualidade a ideias negativas, além de reforçar visões que colocariam a mulher em posição inferior.
“Liberdade religiosa não é liberdade para odiar. As homilias e entrevistas em que Frei Gilson trata gays como doentes ao utilizar termos ultrapassados e associa a homossexualidade a ideias de desvio ou inferioridade, além de reforçar visões que colocam a mulher em posição secundária, não podem ser naturalizadas. Estamos em um país com altas taxas de feminicídio e violência contra pessoas LGBT+. Isso é inaceitável”, afirmou Brendo na denúncia.
Entre os registros apresentados, há vídeos em que o religioso adota um tom enfático ao abordar o tema. “Se a tua igreja está falando que não pode homem com homem, não pode e acabou”, diz Frei Gilson em uma das falas destacadas.
Relato pessoal e críticas
Brendo Silva também menciona sua própria experiência dentro do ambiente religioso. Segundo ele, atuou por mais de uma década como coroinha e noviço, período em que conviveu com membros da Igreja que não se enquadram no discurso apresentado publicamente.
“É preciso coerência e responsabilidade”, acrescentou o denunciante, que também é autor de obras que discutem a presença de padres homossexuais na Igreja.
Quem é Frei Gilson
Com forte presença nas redes sociais, Frei Gilson reúne milhões de seguidores e se tornou conhecido por transmissões ao vivo em que canta, prega e conduz momentos de oração.
Natural de São Paulo, ele iniciou sua trajetória musical ainda na adolescência e ingressou na vida religiosa aos 18 anos. Foi ordenado sacerdote em 2013 e, posteriormente, assumiu atividades pastorais na zona sul da capital paulista.
O religioso integra os Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo e lidera o ministério musical “Som do Monte”, além de manter grande audiência em plataformas digitais.
Defesa não se pronunciou
Até o momento, a defesa de Frei Gilson não respondeu às tentativas de contato. O religioso também não havia se manifestado publicamente sobre o caso até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para posicionamentos.
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