Dados de janeiro a maio mostram crescimento preocupante de feminicídios na capital paulista, refletindo uma tendência alarmante

William Oliveira Publicado em 10/07/2025, às 13h35
A cidade de São Paulo registrou 29 casos de feminicídio entre janeiro e maio deste ano, atingindo um novo recorde para o primeiro semestre desde o início da série histórica. Embora os dados de junho ainda não tenham sido divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), a tendência de alta já é evidente.
O feminicídio, tipificado pela Lei Federal nº 13.104/2015, é o assassinato de mulheres motivado por violência doméstica ou discriminação de gênero. Trata-se de um homicídio qualificado, com penas que variam de 12 a 30 anos de prisão.
No ano passado, a capital já havia alcançado um número recorde de feminicídios, com 51 casos. Em âmbito estadual, São Paulo já soma 250 casos confirmados em 2024.
Segundo Silvana Mariano, coordenadora do Laboratório de Estudos e Feminicídios (Lesfem), esse aumento pode estar ligado à propagação de valores misóginos e à melhora no registro dos crimes pelas autoridades.
Apesar da elevação nos números absolutos, o estado mantém uma das menores taxas do país: 1,8 casos por 100 mil mulheres, segundo o Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB). No entanto, o mesmo monitor aponta um total de 329 feminicídios em São Paulo neste ano, número superior ao divulgado oficialmente, além de 322 tentativas — somando 651 ocorrências relacionadas ao crime.
A maioria dos feminicídios ocorre no ambiente doméstico, geralmente cometidos por parceiros íntimos das vítimas. Finais de semana e feriados concentram grande parte dos casos. Em pelo menos 20% dos episódios, familiares presenciaram o crime.
Cerca de 135 mulheres assassinadas tinham filhos menores de idade. As consequências emocionais para essas crianças são profundas, podendo incluir estresse pós-traumático, ansiedade e depressão.
Embora tenha sido sancionada uma lei garantindo pensão especial para órfãos do feminicídio, a medida ainda não foi regulamentada. Nenhuma criança recebeu o benefício até agora. O Ministério das Mulheres informou que o pagamento será operacionalizado via Cadastro Único (CadÚnico), mas não há previsão de início.
A psicóloga e assistente social Juliana Prates, da Universidade Federal da Bahia, ressalta a urgência no fortalecimento das políticas públicas de proteção a esses órfãos, que seguem em situação de vulnerabilidade extrema.
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