A exposição apresenta objetos de até 4 mil anos, incluindo ferramentas e urnas funerárias

Gabriela Thier Publicado em 14/12/2025, às 18h36
A Casa Museu Ema Klabin abriga a exposição "Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana", que se estenderá até 29 de março de 2026. Esta mostra traz à tona um passado que remonta a um período em que a atual metrópole era apenas um entreposto, propondo uma reflexão sobre as origens e o cotidiano dos habitantes da região.
Integrando-se ao acervo da casa, a exposição destaca os frutos de investigações arqueológicas realizadas na capital paulista nas últimas duas décadas. Entre os artefatos expostos, destacam-se ferramentas, pontas de flechas esculpidas em pedras e fragmentos de cerâmica, que revelam uma narrativa rica sobre uma área que foi significativa para diversas comunidades indígenas e marcada por inundações recorrentes.
Com curadoria do arquiteto Paulo de Freitas Costa e da doutora em arqueologia Paula Nishida, a exposição visa iluminar aspectos da pesquisa sobre este território antes da formação da vila e cidade contemporâneas. Ao explorar os sítios arqueológicos localizados em São Paulo, o visitante pode observar que onde atualmente existem prédios, viadutos e avenidas, existiam formações naturais de quartzo e depósitos de argila. Esses materiais eram utilizados por diferentes povos – indígenas, europeus e africanos – na confecção de lanças, flechas e utensílios cerâmicos.
Os sítios arqueológicos mapeados pela exposição estão situados nas várzeas dos rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí, regiões que deram origem ao povoado Piratininga, nome associado à abundância de peixes que ficavam nas planícies após as cheias. Com o tempo, esse povoado evoluiu para o que hoje conhecemos como a cidade de São Paulo.
A mostra apresenta uma seleção de materiais e mapas provenientes de oito dos aproximadamente 90 sítios arqueológicos já identificados na cidade, abrangendo períodos históricos distintos e significativos para a formação do território paulistano. "Os sítios Lítico do Morumbi, urnas funerárias e os sítios Jaraguá I, II e Olaria II refletem a vivência dos povos originários antes da chegada dos europeus. As Cavas de Ouro do Jaraguá e o Pinheiros 2 testemunham o intercâmbio entre indígenas e colonizadores; enquanto a Casa do Butantã e a Casa do Itaim Bibi abordam aspectos do período colonial", explica Paula Nishida.
Entre as peças expostas – incluindo reproduções acessíveis ao toque – há itens com idades variando entre 600 a 4 mil anos, utilizados tanto para fins práticos como defesa e caça quanto para propósitos simbólicos, como as urnas funerárias descobertas em locais que hoje pertencem às áreas central e leste da capital.
As visitas à exposição estão disponíveis de quarta a domingo, das 11h às 17h, com permanência até as 18h. As visitas guiadas são conduzidas por monitores da Casa às quartas e sextas-feiras nos horários das 11h, 14h, 15h e 16h; aos sábados, domingos e feriados, o atendimento ocorre às 14h. A entrada é gratuita para crianças até 7 anos, professores e alunos da rede pública; já os ingressos para o público geral custam R$ 20,00, com opções de meia-entrada para diversas categorias.
A Casa Museu também se dedica ao desenvolvimento profissional contínuo de educadores através de parcerias com escolas locais. O setor educativo da instituição promove visitas guiadas ao acervo e exposições temporárias, como esta focada na arqueologia paulistana. "Nossas ações educativas incluem caminhadas pelo bairro e atividades que discutem a coleção sob diferentes perspectivas. Os professores trazem suas turmas para complementar as discussões que realizamos durante essas residências", comenta Felipe Azevêdo, educador da Casa.
Essa abordagem colaborativa visa melhorar a experiência dos estudantes ao integrar as atividades propostas ao currículo escolar. Essa estratégia também tem sido fundamental para superar um dos principais desafios enfrentados pela Casa Museu: atrair grupos escolares sem recursos suficientes para transporte até o local. Apesar da localização privilegiada no Jardim Europa – um dos bairros mais caros da cidade – o número de visitantes tem aumentado significativamente com a participação de escolas situadas a mais de 10 quilômetros de distância.
"Estamos buscando parcerias efetivas. Realizamos visitas às escolas para conhecer melhor os alunos e suas necessidades pedagógicas, oferecendo experiências adaptadas aos projetos educativos delas. É uma via de mão dupla", conclui Azevêdo.
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