Diário de São Paulo
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Execução de delator do PCC no aeroporto envolve 13 policiais sob suspeita

Força-tarefa investiga agentes por ligação com o assassinato de empresário delator; facção, dívidas e corrupção estão entre as hipóteses

Vinicius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) - Imagem: Reprodução | SBT
Vinicius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) - Imagem: Reprodução | SBT

por Marina Milani

Publicado em 15/11/2024, às 19h21


A morte do empresário Vinicius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), em plena luz do dia no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, mobiliza uma força-tarefa da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Ao menos 13 policiais, entre militares e civis, estão sob investigação por possível participação no crime ocorrido na última sexta-feira (8).

Entre os investigados estão oito policiais militares que faziam a escolta de Vinicius e cinco policiais civis denunciados por ele por corrupção. Além dos agentes de segurança, um agente penitenciário, pessoas com dívidas com o empresário e membros do PCC também estão na mira das autoridades.

A SSP já afastou parte dos policiais envolvidos, mas não revelou o número total. O caso é tratado como homicídio, lesão corporal e apreensão de objeto.

Câmeras de monitoramento registraram dois homens encapuzados, armados com fuzis, abrindo fogo contra o empresário. Além de Vinicius, um motorista de aplicativo foi morto, e outras três pessoas que estavam no local ficaram feridas. Os assassinos fugiram sem serem identificados.

Vinicius era réu em processos por homicídio de dois membros do PCC e lavagem de dinheiro para a facção. Ele respondia em liberdade e havia firmado um acordo de delação premiada com o Ministério Público em abril, o que reduzia suas penas em troca de informações sobre esquemas ilícitos envolvendo o PCC e policiais corruptos.

O acordo de delação trouxe à tona denúncias graves. Em um dos áudios entregues ao MP, Vinicius revelou que um advogado ligado ao PCC ofereceu R$ 3 milhões a um policial civil para executá-lo. Ele também acusou agentes de segurança de extorquir R$ 40 milhões para deixarem de investigá-lo como mandante de crimes ligados à facção.

Até o momento, nenhum suspeito de executar o crime foi identificado ou preso. As investigações continuam, enquanto o caso evidencia os riscos e as fragilidades no sistema de proteção a delatores que denunciam organizações criminosas.


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