Grupo de estudantes da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, foi flagrado exibindo uma bandeira com uma frase de conotação sexual

William Oliveira Publicado em 18/03/2025, às 09h13
Um incidente preocupante ocorreu na Faculdade Santa Marcelina, na Zona Leste de São Paulo, onde um grupo de 24 estudantes de medicina foi fotografado segurando uma bandeira com a frase "entra porra, escorre sangue" escrita à mão. A expressão possui conotação violenta e remete ao crime de estupro.
O episódio aconteceu durante um evento esportivo para calouros, no último sábado (15), e gerou indignação. O Coletivo Francisca, formado por alunas e ex-alunas da instituição, denunciou o caso à direção do curso nesta segunda-feira (17).
A frase exibida faz parte de um antigo hino da atlética da faculdade, proibido desde 2017 por seu conteúdo sexual e machista. Além de referências ao estupro, a letra continha menções explícitas a relações sexuais com membros da comunidade religiosa que compõe o corpo docente.
Confira alguns trechos da canção:
“Se no fundo eu não relo
As borda eu arregaço
Med Santa Marcelina
Arrancando seu cabaço”
“Se no cu minha piroca
Na buceta ou nas teta
Entra porra e sai sangue
Tu gritando igual capeta”
“Vai, medicina, bota pra fuder
Somos todos loucos e seu cu vamos comer”
O coletivo afirmou que o ato configura apologia ao estupro e exigiu punições severas aos envolvidos. Em resposta, a Faculdade Santa Marcelina publicou uma nota oficial reconhecendo a participação dos alunos e informou que iniciou uma sindicância para apurar o caso. Os responsáveis podem sofrer sanções que vão de advertências a suspensão ou expulsão.
Uma ex-aluna da instituição, que preferiu não se identificar, lamentou a persistência da cultura do estupro nas faculdades de medicina. Segundo ela, a bandeira foi exibida após uma vitória no handebol masculino, e a atlética estava inspecionando os materiais levados ao evento.
Ela destacou que cânticos degradantes e trotes humilhantes ainda são comuns nesses cursos, apesar dos esforços do Coletivo Francisca para combatê-los. Questionou até quando essas práticas continuarão sendo toleradas no ambiente acadêmico.
Hinos ofensivos em atléticas universitárias refletem uma cultura nociva nas universidades. O da medicina da Faculdade Santa Marcelina já havia sido criticado anteriormente e banido após pressão do movimento feminista. Além do trecho polêmico exibido no evento, outros versos também continham expressões inapropriadas.
A instituição reafirmou seu compromisso com princípios éticos e destacou que atos como esse violam a dignidade acadêmica, exigindo medidas disciplinares.
Confira a nota da instituição:
"A Faculdade Santa Marcelina se manifesta veementemente contrária ao ocorrido no último dia 15 de fevereiro, em uma competição esportiva que contou com a participação de estudantes do curso de Medicina, integrantes da Associação Atlética Acadêmica (AAAPV).
A instituição esclarece que, no ato de matrícula, o aluno aceita um compromisso formal com a faculdade, de respeito aos seus princípios éticos e morais, à dignidade acadêmica e à legislação vigente. Atitudes como essa constituem agravo à instituição e sua tradição, missão e valores e também à sociedade como um todo.
Nesse sentido, a Faculdade Santa Marcelina já iniciou um procedimento de sindicância interna para apuração dos fatos e os alunos da instituição responsáveis pelos atos (que ocorreram fora de suas dependências) serão penalizados conforme os princípios estabelecidos e a gravidade da infração. Entre as punições estão advertências verbais e escritas, suspensão e até desligamento (expulsão) da faculdade."
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