Diário de São Paulo
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Desrespeito Religioso

Erro em cemitério de SP termina com cremação indevida de pai de santo

Cremação de Odair dos Santos, falecido em 2022, desrespeita suas convicções religiosas e causa revolta entre os familiares

Prefeitura de São Paulo inicia investigação sobre o caso - Imagem: Reprodução / TV Globo
Prefeitura de São Paulo inicia investigação sobre o caso - Imagem: Reprodução / TV Globo

William Oliveira Publicado em 29/05/2025, às 09h11


Um trágico erro administrativo no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, Zona Leste de São Paulo, resultou na cremação indevida de Odair dos Santos, falecido em janeiro de 2022. O corpo foi cremado em 1º de maio de 2025, mais de três anos após sua morte, sem a autorização da família e em desrespeito às convicções religiosas do falecido — Odair era um respeitado pai de santo ligado à umbanda, religião que proíbe expressamente a cremação.

A família planejava transferir o corpo para um jazigo recém-adquirido e, no início de 2025, procurou o cemitério para dar início ao processo de exumação. Segundo os filhos, a administração do local — gerido pela concessionária Velar — informou que o corpo ainda não estava em condições adequadas para a retirada. Eles foram orientados a retornar dois dias depois com um caixão específico, o que gerou um custo superior a R$ 1.400.

Ao retornarem em 2 de maio, os familiares encontraram o túmulo revirado e foram surpreendidos pela notícia de que o corpo havia sido cremado no dia anterior, por engano. A administração alegou que houve confusão na identificação devido à existência de dois pedidos de exumação para sepulturas próximas.

Kleber dos Santos, filho de Odair, expressou indignação: “Ele abominava. Na nossa religião, não se permite cremação.” A irmã, Flávia dos Santos, completou: “A gente não conseguiu fazer a vontade dele. Tiraram isso da gente, ceifaram isso da gente.”

A família afirmou que pretende acionar a Justiça e questiona inclusive a autenticidade das cinzas entregues.

A empresa Velar reconheceu a falha e informou ter contatado os familiares assim que o erro foi identificado. A concessionária se comprometeu a arcar com todos os custos e anunciou uma revisão nos protocolos para evitar casos semelhantes.

Já a Prefeitura de São Paulo informou que a SP Regula, órgão responsável por fiscalizar os serviços funerários, abriu uma investigação interna para apurar responsabilidades e eventuais falhas da concessionária.


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