Parlamentares destacam que o episódio revela a lógica do 'suspeito padrão' que afeta a população negra no Brasil

William Oliveira Publicado em 12/04/2025, às 18h47
Três deputadas estaduais, sendo duas de Minas Gerais e uma de São Paulo, registraram um boletim de ocorrência após relatarem terem sido vítimas de racismo no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na última sexta-feira (11).
As parlamentares Ediane Maria (PSOL-SP), Andreia de Jesus (PT-MG) e Leninha (PT-MG) afirmaram que foram submetidas a uma revista minuciosa no momento do desembarque, após retornarem do Painel Internacional de Mulheres Afropolíticas, realizado no Senado do México.
Em suas redes sociais, Andreia de Jesus relatou que, em meio a um grande número de passageiros, apenas as três foram escolhidas pelos agentes da Polícia Federal (PF) para o procedimento. “O motivo nós já sabemos. É a lógica do “suspeito padrão” que continua operando com as pretas e pretos”, escreveu a deputada.
Ela ressaltou que o constrangimento foi inaceitável e reforçou que racismo é crime. “Continuaremos lutando contra a discriminação em todos os ambientes, tanto dentro quanto fora das instituições.”
Leninha também usou suas redes para demonstrar indignação, reforçando que nenhuma outra pessoa ao redor foi revistada. Para ela, o ocorrido foi um exemplo claro de racismo velado, disfarçado sob protocolos institucionais.
“Não é coincidência. É padrão. É a cor da nossa pele sendo lida como ‘suspeita’ em um país que ainda normaliza a violência racial disfarçada de protocolo. Mas estamos aqui para denunciar, resistir e lembrar: nenhuma humilhação será silenciada”, afirmou.
‼️✊🏾 Será ‘aleatoriedade’ ou racismo estrutural seletivo?
— Leninha (@leninhamoc13) April 12, 2025
Ontem, no aeroporto de Guarulhos, eu e as deputadas Andréia de Jesus e Ediane Maria, três parlamentares estaduais negras, fomos as únicas “sorteadas” para uma revista aleatória. Nenhuma outra pessoa ao redor, apenas nós… pic.twitter.com/jPLweimf7s
Ediane Maria também se manifestou, destacando que apenas elas — três mulheres negras — foram submetidas à revista entre tantos passageiros.
Até o momento, nem o Aeroporto de Guarulhos e nem a Polícia Federal, se pronunciaram sobre o caso.
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