Ação faz parte de uma investigação mais ampla sobre corrupção, com base nas delações de Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro do ano passado

William Oliveira Publicado em 04/02/2025, às 10h42
Na manhã desta terça-feira (4), o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil, cumpriu mandados de busca e apreensão contra um delegado de classe especial, a mais alta patente da instituição. A ação faz parte de uma investigação mais ampla sobre corrupção, com base nas delações de Vinícius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além do delegado, as autoridades realizaram buscas no presídio da Polícia Civil, na capital paulista, visando apreender celulares de dois policiais já detidos por tráfico de drogas. Esses agentes foram citados nas delações de Gritzbach, que estava ligado ao PCC.
Gritzbach foi assassinado em novembro do ano passado, durante um ataque a tiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
O delegado Alberto Pereira Matheus Junior, alvo da operação, tem um histórico de cargos importantes no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e no Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes (Denarc). A defesa do delegado não foi localizada para comentar os acontecimentos. Fontes indicam que seus superiores consideram seu afastamento durante as investigações.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que a operação é um desdobramento das investigações sobre o homicídio de Gritzbach e prometeu mais informações após as buscas.
O nome do delegado surgiu durante a análise do celular do investigador Eduardo Lopes Monteiro, um dos quatro policiais civis presos pela Polícia Federal (PF) em dezembro passado, sob suspeita de extorsão de valores de Gritzbach. Mensagens entre Alberto e Eduardo indicam solicitações financeiras frequentes feitas pelo delegado. Os pagamentos eram realizados via pix para contas de sua esposa e filho.
As investigações apontam que Eduardo Monteiro fazia esses pagamentos como uma espécie de "pedágio" devido à posição de Alberto, e os recursos oriundos de atividades ilícitas associadas à corrupção policial.
As autoridades não conseguiram apreender o celular do delegado, que alegou ter perdido o aparelho no dia anterior à operação, registrando um boletim de ocorrência sobre o fato.
Alberto Pereira Matheus teve como subordinados o delegado Fabio Baena e o investigador Eduardo Monteiro, ambos mencionados nas delações de Gritzbach.
A defesa de Baena e Monteiro qualificou as prisões como "ilegais" e a ação como uma "arbitrariedade flagrante", sem fundamentos suficientes para sua execução.
Além disso, promotores e membros da Corregedoria realizaram buscas no presídio da Polícia Civil na Zona Norte de São Paulo, procurando celulares de dois policiais, Valdenir Paulo de Almeida, conhecido como Xixo, e Valmir Pinheiro, apelidado de Bolsonaro. Ambos foram presos em uma operação contra traficantes e, posteriormente, citados nas delações premiadas de Gritzbach sobre corrupção policial.
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