Antônio Vinícius Gritzbach, assassinado em 8 de novembro do ano passado, enfrentava acusações da "Corte do Crime" do PCC, que o acusava de realizar um golpe milionário e de orquestrar a morte de Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta

William Oliveira Publicado em 14/02/2025, às 08h00
A investigação realizada pela polícia revelou que Antônio Vinícius Gritzbach, conhecido delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi assassinado em 8 de novembro como parte de uma represália pelo homicídio de Anselmo Santa Fausta, também chamado de Cara Preta, ocorrido em dezembro de 2021.
Gritzbach enfrentava acusações da "Corte do Crime" do PCC, que o acusava de realizar um golpe milionário e de orquestrar a morte de Cara Preta.
De acordo com Osvaldo Nico Gonçalves, secretário-executivo da Secretaria da Segurança Pública (SSP), os responsáveis pela execução de Gritzbach foram identificados como Emílio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como Bill ou João Cigarreiro, e Diego dos Santos Amaral, conhecido como Didi. A motivação para o crime foi a vingança pela morte de Anselmo e pelo montante de dinheiro que teria sido subtraído dele.
Atualmente, ambos os indivíduos estão foragidos. Além deles, a polícia busca Kauê do Amaral Coelho, identificado como observador no dia do assassinato de Gritzbach. Relatos indicam que Kauê e Cigarreiro estão se escondendo na Vila Cruzeiro, localizada no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, enquanto Didi estaria na Bolívia.
"Todo mundo sabe. A gente já esteve lá, no Rio de Janeiro, mas a gente não tem jurisdição para entrar. Um dia a gente vai pegar", afirmou Gonçalves.
Embora os suspeitos ainda não tenham sido detidos, a polícia considera o caso esclarecido.
Quem é João Cigarreiro?
Emílio Carlos Gongorra Castilho é considerado pela polícia o mandante do assassinato de Gritzbach. Apesar de ser membro do PCC, ele mantém relações com a facção Comando Vermelho. Sua prisão foi decretada, mas ele segue foragido.
"Ele é um dos faccionados do PCC e, pode parecer estranho, transita no Comando Vermelho", comentou a delegada Ivalda Aleixo, do DHPP.
Além disso, segundo a delegada, Cigarreiro tinha conexões em São Paulo que lhe permitiram estabelecer negócios para lavagem de dinheiro por meio de estabelecimentos comerciais, incluindo um buffet e um empório de carnes localizados no Tatuapé, zona leste da capital paulista.
Operação policial
Na quinta-feira (13), o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) desencadeou uma operação com o objetivo de cumprir novos mandados judiciais relacionados ao assassinato de Gritzbach.
Aproximadamente 120 agentes participaram da ação, que resultou em buscas em mais de 20 endereços e na prisão de 26 suspeitos. Este grupo inclui 17 policiais militares e cinco policiais civis, detidos na Operação Tácitus, sob a suspeita de vínculos com o PCC e envolvimento em atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. Também foram detidas quatro pessoas ligadas a Kauê.
A Polícia Federal (PF) concluiu recentemente um inquérito que investigava as conexões entre policiais civis e o PCC, resultando no indiciamento de 14 indivíduos, incluindo três policiais civis. Entre os indiciados estão o delegado Fábio Baena e o investigador Eduardo Monteiro.
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