Maicol Sales, preso desde março, é acusado de feminicídio e pode enfrentar até 50 anos de prisão se condenado

William Oliveira Publicado em 19/08/2025, às 08h00
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou Maicol Sales dos Santos por sequestro, feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. O suspeito é acusado de ter assassinado Vitória Regina de Sousa, de 17 anos.
Na audiência da última segunda-feira (18), a Justiça iniciou a análise sobre a possibilidade de levá-lo a júri popular. O crime ocorreu em Cajamar, na Grande São Paulo. A sessão foi encerrada por volta das 20h, e um novo interrogatório está marcado para 19 de setembro, segundo o Tribunal de Justiça.
Vitória desapareceu em fevereiro após sair do trabalho. Após uma semana de buscas, seu corpo foi encontrado em uma área de mata. As investigações apontam que Maicol confessou o crime por medo de que a jovem revelasse o relacionamento extraconjugal à esposa dele.
O MP detalhou as acusações e solicitou a conversão da prisão temporária em preventiva, sem prazo para soltura. Caso condenado, Maicol pode pegar até 50 anos de prisão. O promotor Jandir Moura Torres Neto afirmou que ele agiu sozinho ao matar a adolescente em 27 de fevereiro. A Promotoria também pediu à Polícia Civil um novo inquérito para apurar possível participação de terceiros no ocultamento do corpo.
A perícia encontrou material genético não identificado no veículo de Maicol, levantando suspeita de envolvimento de outra pessoa.
Entre as acusações estão: sequestro qualificado por a vítima ser menor de idade e por razões libidinosas; feminicídio qualificado pelo desprezo à condição feminina; ocultação de cadáver em área remota; além de fraude processual, já que o acusado tentou apagar provas limpando o carro e deletando dados do celular.
O promotor destacou a gravidade do caso: “É chocante você ver uma pessoa morrer pelo simples fato de ser mulher.”
Segundo as investigações, Maicol e Vitória moravam na mesma região. Ele está preso desde 8 de março. Em gravação feita na delegacia, confessou ter agido sozinho. Disse que mantinha um relacionamento com a jovem havia cerca de um ano e que ela ameaçava contar a traição à esposa.
A defesa alega que o réu não tinha representação legal durante o primeiro interrogatório, mas a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirma que uma advogada foi chamada para acompanhar a confissão.
Os advogados também sustentam a inocência de Maicol e tentam invalidar a confissão, citando um áudio em que ele diz ter sido ameaçado pela polícia.
Laudos periciais confirmaram que o sangue encontrado no carro e na casa de Maicol pertence à vítima. Em sua versão inicial, ele afirmou ter dado carona à adolescente antes de atacá-la durante uma discussão.
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