Primeira vez que um oficial de tal patente enfrenta a Justiça desde o fim do regime militar em 1964

Alanis Ribeiro Publicado em 15/12/2024, às 19h23
Walter Souza Braga Netto, aos 66 anos, faz história ao se tornar o primeiro general quatro estrelas a ser preso no Brasil. A prisão ocorreu no sábado (14) pela Polícia Federal (PF), em Copacabana, Rio de Janeiro, e está relacionada a acusações de participação em um plano golpista que visava obstruir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, além de tentativas de acesso a informações sigilosas.
A prisão de Braga Netto marca um momento significativo, sendo a primeira vez que um oficial de tal patente enfrenta a Justiça desde o fim do regime militar em 1964. Um evento semelhante ocorreu em 1961, quando o marechal Henrique Teixeira Lott foi preso.
Sobre a patente
O título de general quatro estrelas é o mais elevado na hierarquia militar brasileira, refletindo a responsabilidade e a autoridade que esse cargo exige. Generais são classificados de acordo com o número de estrelas, que simbolizam diferentes níveis de comando e influência nas forças armadas do país.
Como general quatro estrelas, Braga Netto tinha sob sua responsabilidade decisões estratégicas e o comando de grandes operações militares em todo o território nacional. Sua prisão foi um desdobramento do inquérito que apurou as tentativas de golpe contra a posse do presidente Lula em 2022. Após sua detenção, ele foi transferido para o Comando Militar do Leste, onde permanecerá sob a custódia do Exército Brasileiro.
A operação da PF não se limitou à prisão; foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e uma medida cautelar contra outros investigados que estariam dificultando a coleta de provas necessárias para o processo judicial.
Braga Netto já havia sido destaque na mídia ao comandar a intervenção federal no Rio de Janeiro entre fevereiro de 2018 e janeiro de 2019, durante o governo de Michel Temer (MDB).
Sobre o general
Nascido em Belo Horizonte (MG) em 1957, o general ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) em 1975, onde estudou ao lado de Luiz Eduardo Ramos, também ex-ministro durante o governo Bolsonaro. Braga Netto ascendeu ao posto máximo da carreira militar brasileira e atuou como adido militar na Polônia entre 2005 e 2006.
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