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Agentes desmantelam esquema de R$ 7,6 bilhões do PCC em combustíveis

A operação Carbono Oculto visa combater as irregularidades que afetam toda a cadeia econômica de combustíveis no país

A operação Carbono Oculto visa combater as irregularidades que afetam toda a cadeia econômica de combustíveis no país - Imagem: Reprodução / Agência Brasil
A operação Carbono Oculto visa combater as irregularidades que afetam toda a cadeia econômica de combustíveis no país - Imagem: Reprodução / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 28/08/2025, às 17h48


Uma força-tarefa composta por aproximadamente 1.400 agentes do do MP-SP, MPF e Polícias Federal, Civil e Militar foi mobilizada, nesta quinta-feira (28), para executar mandados de busca, apreensão e prisão em oito estados brasileiros. O objetivo principal é desmantelar um esquema criminoso avaliado em bilhões de reais no setor de combustíveis, que estaria sob o controle da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

A operação, denominada Carbono Oculto, é considerada a mais abrangente já realizada no Brasil no combate ao crime organizado. De acordo com autoridades fiscais de São Paulo, o grupo investigado teria sonegado mais de R$7,6 bilhões em tributos nos níveis federal, estadual e municipal.

Este esforço conjunto resulta da união de três operações anteriores e se concentra em locais estratégicos, incluindo São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

As apurações indicam que a organização criminosa operava na importação irregular de produtos relacionados à cadeia de combustíveis. As irregularidades foram detectadas em várias fases do processo produtivo e de distribuição de gasolina e etanol no país.

O impacto desse esquema não se restringe apenas aos consumidores que abastecem seus veículos; toda a cadeia econômica vinculada aos combustíveis foi severamente prejudicada.

Entre as táticas empregadas pelo PCC estava a importação ilegal de produtos químicos destinados à adulteração dos combustíveis. Investigações revelaram que mais de 300 postos estavam envolvidos nessas fraudes. Estima-se que cerca de 30% dos postos em todo o estado de São Paulo, totalizando aproximadamente 2.500 estabelecimentos, possam estar comprometidos.

A Receita Federal também descobriu que ao menos 40 fundos de investimento, com ativos avaliados em R$30 bilhões, estão sob o controle do PCC. As operações financeiras ocorriam predominantemente no mercado financeiro de São Paulo, com membros infiltrados na Avenida Faria Lima.

Esses fundos foram utilizados como mecanismos para ocultar patrimônio e financiar aquisições significativas, incluindo um terminal portuário e usinas produtoras de álcool.

Na ação desta quinta-feira, mais de 350 alvos - tanto pessoas físicas quanto jurídicas - estão sendo investigados por crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.

Dentre as principais empresas implicadas na operação destacam-se:

  • Grupo Aster/Copape: Responsável por usinas, formuladoras e distribuidoras, além de uma rede de postos utilizada pela organização criminosa.
  • BK Bank: Uma fintech financeira utilizada para movimentações monetárias através de contas não rastreáveis.
  • Reag: Fundo de investimento empregado na aquisição de empresas e usinas, além da blindagem do patrimônio dos envolvidos.

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