Interdição para obras deve reduzir em cerca de um terço o número de voos e obrigar readequação das operações no principal aeroporto do país

Erika Osti Publicado em 26/03/2026, às 14h48
O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, vai operar com apenas uma pista entre 29 de março e 30 de abril, período em que uma das estruturas será interditada para obras de infraestrutura. A mudança deve reduzir em cerca de um terço o número de voos no principal terminal aéreo do país, além de afetar a dinâmica de pousos e decolagens e levar companhias aéreas a reorganizarem suas operações.
Atualmente, o aeroporto funciona com duas pistas paralelas, o que permite operações simultâneas, com uma dedicada a pousos e outra a decolagens nos horários de maior movimento. Com a interdição, todas as operações passarão a ser concentradas em uma única pista, exigindo alternância entre pousos e decolagens e diminuindo a capacidade operacional de cerca de 60 para aproximadamente 40 voos por hora.
A pista que ficará fechada é a 10R/28L, utilizada principalmente para pousos. Durante o período de obras, a pista 10L/28R, normalmente usada para decolagens, também receberá aeronaves em pouso. A alteração impacta tanto a aviação comercial quanto a executiva, que deverá enfrentar restrições.
Segundo a concessionária GRU Airport, responsável pela administração do aeroporto, a intervenção faz parte de um conjunto de obras obrigatórias de infraestrutura e manutenção preventiva, já previstas em cronograma e comunicadas previamente às companhias aéreas e aos órgãos reguladores ainda em 2024. O objetivo é reforçar os padrões de segurança operacional e melhorar a eficiência do terminal no médio e longo prazo.
Entre as melhorias previstas está a construção de uma nova pista de táxi de saída rápida, que permitirá que aeronaves deixem a pista principal com mais agilidade após o pouso, além da ampliação de outra taxiway. Esse tipo de estrutura reduz o tempo de ocupação da pista e tende a aumentar a fluidez das operações no futuro.
Diante das mudanças, companhias aéreas já iniciaram ajustes na malha. Há redução de frequências, remanejamento de horários e até transferência de voos para outros aeroportos, como Congonhas e Viracopos. A Latam informou que reorganizou sua programação e comunicou os passageiros afetados. A Azul também confirmou cancelamentos pontuais e alterações, com assistência aos clientes conforme as regras da Agência Nacional de Aviação Civil. A Gol ainda não detalhou os impactos.
A Associação Brasileira de Empresas Aéreas realiza um levantamento para dimensionar o total de voos afetados. A expectativa é de impacto relevante ao longo do mês, justamente em um momento de retomada do movimento no aeroporto, um dos mais movimentados da América Latina.
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