Diário de São Paulo
Siga-nos
TRAGÉDIA

Adolescente admite envenenamento de bolo que matou amiga: "Arrependida"

Suspeita confessou ter envenenado um bolo que resultou na morte de sua colega Ana Luiza de Oliveira Neves, em Itapecerica da Serra

Ana Luiza de Oliveira Neves, de 17 anos, morreu em 1º de junho após consumir o bolo envenenado - Imagem: Reprodução / Arquivo pessoal
Ana Luiza de Oliveira Neves, de 17 anos, morreu em 1º de junho após consumir o bolo envenenado - Imagem: Reprodução / Arquivo pessoal

William Oliveira Publicado em 04/06/2025, às 08h39


Uma tragédia abalou a comunidade de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, após uma adolescente de 17 anos confessar à polícia ter envenenado um bolo que resultou na morte de sua colega, Ana Luiza de Oliveira Neves, também de 17 anos. Em seu depoimento, a jovem afirmou está “muito arrependida”, além de afirmar que sente vergonha pela morte da colega.

Segundo o relato à polícia, no dia 31 de maio, a acusada comprou um bolo de pote sabor leite ninho em uma confeitaria no bairro Parque Paraíso e retornou para casa, onde preparou um brigadeiro branco e misturou óxido arsênico — veneno que ela havia adquirido pela internet por R$ 80. Em seguida, escreveu um bilhete: "Um mimo para a menina mais doce e com a personalidade incrível que eu conheço" e contratou um motoboy para entregar o doce à residência da vítima.

Ana Luiza consumiu o doce, passou mal e foi levada ao pronto-socorro, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória. Apresentava cianose e hipotermia severas. Apesar dos esforços médicos para reanimá-la, a jovem não resistiu. A causa oficial da morte foi registrada como intoxicação alimentar. O óbito ocorreu no dia 1º de junho.

A motivação do crime teria sido ciúmes. A adolescente confessou que não foi a primeira vez que envenenou alguém: em 14 de maio, ela tentou envenenar outra colega da escola utilizando o mesmo método — bolo de pote com o mesmo veneno. Na ocasião, a vítima sobreviveu. A suspeita alegou que também não desejava a morte de Ana Luiza e que acreditava que ela se recuperaria, como a primeira jovem.

A confeitaria Menina Trufa, que produziu o bolo, afirmou em nota que não teve qualquer envolvimento com a entrega e que o doce foi adquirido por uma cliente como consumo próprio. Segundo a proprietária, o transporte até a casa da vítima foi feito por um motoboy independente, sem vínculo com o estabelecimento. A loja declarou solidariedade à família da vítima e informou o fechamento temporário do comércio enquanto colabora com a investigação.

Nas redes sociais, colegas e amigos de Ana Luiza prestaram homenagens emocionadas. Alunos do “terceirão” G da Escola Estadual João Baptista de Oliveira publicaram mensagens destacando a gentileza e alegria da estudante. "Ana foi, e sempre será, parte da nossa história", dizia uma das postagens. O sepultamento da jovem ocorreu na manhã da última terça-feira (3), no Cemitério Municipal Recanto do Silêncio.


últimas notícias