O homem que gravou policiais militares executando um suspeito rendido na zona sul de São Paulo relatou ter sido ameaçado pelos agentes após registrar a ação. O caso aconteceu na noite da última segunda-feira (4), em Cidade Ademar, e está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Corregedoria da Polícia Militar.
O encarregado de obras Lucas Ferreira Tomaz, de 30 anos, afirmou que policiais da Rota e da Força Tática entraram em sua residência após a ocorrência, acessaram seu celular, apagaram vídeos gravados da ação e fizeram ameaças caso as imagens fossem divulgadas.
Segundo Lucas, os agentes disseram: “se esses vídeos caírem na mídia, a gente vai atrás de você”. Ele também afirmou que os policiais tiraram fotos de suas tatuagens e questionaram seu histórico criminal.
O morador contou que estava em casa com a esposa e a enteada quando ouviu uma perseguição policial na rua. Pela janela, viu um veículo Fiat Strada vermelho sendo cercado por policiais e decidiu gravar a abordagem. Nas imagens, um suspeito aparece rendido dentro do carro antes de ser baleado.
“Os moleques estavam fazendo coisa errada, beleza, mas não precisava fazer o que fizeram. Ele simplesmente foi lá e atirou”, declarou Lucas.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os policiais suspeitaram do veículo após tentativa de fuga e colisão contra uma viatura. Segundo a versão oficial, um dos ocupantes foi detido e outro, armado dentro do carro, foi baleado após intervenção policial.
Com os suspeitos, a PM afirma ter apreendido uma pistola calibre 9 mm e porções de drogas, entre elas maconha, cocaína, crack e lança-perfume.
Lucas também relatou que os policiais pressionaram moradores da região e tentaram acessar câmeras de segurança próximas ao local da ocorrência. Ele disse ainda que os agentes apagaram mensagens e vídeos enviados por ele a terceiros logo após o fato.
Apesar das ameaças, o morador afirmou ter prestado depoimento ao DHPP e à Corregedoria da PM. “Hoje eu não corro mais com o crime. Eu corro com Deus”, afirmou.
A SSP informou que os policiais envolvidos foram afastados das ruas, tiveram as armas apreendidas para perícia e que as imagens das câmeras corporais estão sendo analisadas. O caso segue sob investigação.