
por Leandro Mazzini
Publicado em 03/03/2025, às 10h00
BRASÍLIA, SEGUNDA-FEIRA, 3 DE MARÇO DE 2025 - Nº 4.067
No muro
Enquanto o presidente Lula da Silva reforça a agenda internacional para sair bem na fita, o Ministério de Relações Exteriores não ajuda – e com a anuência do próprio chefe da nação. A decisão do Governo do Brasil de se abster na votação de uma resolução da ONU, apresentada pela Ucrânia, condenando a invasão russa que completou três anos, foi considerada a pá de cal nas pretensões de Lula de ser reconhecido como líder político global. Ao se abster, o Brasil “sobe no muro” e acaba se alinhado ao presidente norte-americano Donald Trump, a quem tem criticado justamente por se colocar mais favorável à Rússia de Vladimir Putin. Dentro do próprio Itamaraty há diplomatas bem críticos a essa posição. Em tempo, o Brasil exporta muita, muita carne para a Rússia, e o nosso agro depende quase totalmente dos fertilizantes fabricados lá.
Mau exemplo!
Com a prisão do rapper Oruam, por abrigar um foragido da Justiça, deputados da ALERJ querem acelerar a votação de projetos que proíbam acesso de menores a shows que fazem apologia ao crime e incentivo às drogas; e que impedem a utilização de dinheiro público em eventos do tipo. O rapper é filho do traficante Marcinho VP, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes, em 2002.
Marmita azedou
Ganha força na Câmara dos Deputados o movimento suprapartidário para investigar a fundo as denúncias de irregularidades na distribuição de marmitas no âmbito programa Cozinha Solidária do Governo, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A oposição quer cercar o PT e seus redutos, que estariam envolvidos diretamente em beneficiar pontos estratégicos com vistas às eleições.
O homem de Moscou
Além da minirreforma ministerial na Esplanada, há uma previsão de dança das cadeiras em março em algumas embaixadas. Existe também grande expectativa com a sabatina do futuro embaixador do Brasil em Moscou. O indicado, Sérgio Rodrigues dos Santos, chefe da Assessoria Especial de Planejamento Diplomático, vai para o lugar de Rodrigo Baena Soares, que assumirá a Embaixada do Brasil em Berlin.
China na praça
O governo chinês espera que a Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado delibere em março sobre o acordo que põe fim à dupla tributação firmado em 2022 e que atualiza o de 1991. Na visão de Pequim, é essencial para que as relações comerciais se aprofundem e barateiem mais os produtos importados. A matéria está no Senado desde 2024, mas Renan Calheiros, então presidente da CRE, não designou um relator.
Conta aí, ministro
O ministro da Educação, Camilo Santana, deve ter de aparecer à Câmara para explicar denúncias no programa e Educação de Jovens e Adultos (EJA) em 35 cidades, conforme levantamento da CGU. Uma agência reguladora do ensino superior também será cobrada. O deputado Messias Donato (Rep-ES), autor do requerimento, não descarta pedir uma CPI para expor o ministro, candidato potencial ao Senado pelo PT do Ceará.
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