
por Juliano Araújo
Publicado em 22/05/2026, às 08h00
O VII Congresso Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados (CNPPD 2026), realizado na UNIP Campus Norte, em São Paulo, nos dias 08 e 09 de maio, reuniu especialistas nacionais e internacionais para debater os desafios atuais da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Inteligência Artificial, cibersegurança e governança digital. Com o tema “#CyberGu3rr@s: Como preparar as inteligências artificiais para colaborar com a TI em tempos de Conflitos Mundiais?”, o evento organizado pela APDADOS trouxe ao centro das discussões uma pergunta fundamental: afinal, o que os especialistas estão recomendando para empresas e profissionais que atuam com proteção de dados?
A coluna de Inovação Digital do Jornal Diário de São Paulo, com Juliano Araújo, trouxe com exclusividade a visão de grandes nomes presentes no congresso, reunindo recomendações, tendências e reflexões compartilhadas por profissionais que estão diretamente envolvidos com projetos de adequação à LGPD, cibersegurança e Inteligência Artificial no Brasil e no exterior.
Para Luana Minoti, membro da APDADOS e participante do CNPPD 2026, a principal recomendação envolve a construção de conexões profissionais e o fortalecimento do networking internacional. Segundo ela, “a conexão proporcionada pelo congresso é uma força que faz a diferença quando atuamos com clientes de pequeno, médio e grande porte fora do Brasil. A privacidade de dados é um tema em alta, e as empresas estão atentas às movimentações do mercado e prontas para investir”.
A Dra. Ana Canto de Lima, Diretora da ESA/PE e palestrante do evento, reforçou a importância da produção de conhecimento para os profissionais da área. “É um privilégio estar pela segunda vez no CNPPD como palestrante. Neste ano, trouxe uma palestra sobre a importância da publicação de artigos, além da alegria de lançar um livro em parceria com a APDADOS, reunindo 50 encarregados de proteção de dados que compartilharam cases reais de projetos de adequação”, destacou.
Gabriel Veneroso, membro da APDADOS e integrante do Comitê de Segurança da Informação desde o início da associação, ressaltou o crescimento das discussões sobre Inteligência Artificial. “Faço parte do Comitê de Segurança da Informação desde o começo da APDADOS e estar aqui em um evento que aborda Inteligência Artificial demonstra como esse tema já é prioridade nacional e internacional. Vimos no congresso representantes de Angola, Chile e Argentina debatendo exatamente sobre isso”, afirmou.
Na visão de Rogério Scucuglia, Sócio Fundador e Diretor da empresa LGPD Legal, a integração entre LGPD, Inteligência Artificial e cibersegurança já se tornou inevitável. “O CNPPD é conhecido como um dos maiores eventos para profissionais de privacidade de dados e, neste ano, trouxe de forma muito forte os temas de guerras cibernéticas e Inteligência Artificial. As pessoas precisam entender que a IA é uma ferramenta que veio para auxiliar, e não para substituir profissões. Hoje, é praticamente impossível conduzir um bom projeto de proteção de dados sem conhecimento nessas áreas”, explicou.
Representando a Argentina, o palestrante Eugenio Diaz, do CECyD – Centro de Estudios en Ciberseguridad y Datos, destacou a importância da integração internacional entre profissionais da área. “Este evento é extremamente importante para estabelecer conexões e networking com profissionais de privacidade de dados não apenas do Brasil, mas também de outros países. Participar do congresso reforça a importância da capacitação diante das mudanças futuras que estão acontecendo no mundo. Precisamos trabalhar juntos, atravessando fronteiras, para compartilhar conhecimento e fortalecer os profissionais de todos os países”, afirmou.
Marcelo Donon, CEO da Ativa IT, trouxe uma reflexão sobre o valor estratégico da informação e da conscientização profissional. “Na minha visão, a informação é o petróleo do mundo atual, e isso traz uma enorme responsabilidade sobre como controlar e proteger esses dados. Hoje temos muitas tecnologias e processos, mas ainda falta conscientização e educação. A cibersegurança precisa ser encarada como estratégia, e não apenas como ferramenta ou processo”, destacou.
A palestrante Monica Cassa, Coordenadora Regional da APDADOS/SP, ressaltou a importância do compartilhamento de experiências reais entre profissionais da área. “O lançamento do livro no CNPPD está sendo uma oportunidade única proporcionada pela APDADOS e pela Editora Império para compartilharmos experiências que nós, DPOs, enfrentamos diante de tantas mudanças. Poder dividir esse conhecimento na obra e também nas palestras tem sido algo extraordinário”, comentou.
Gustavo Pistinili, membro da APDADOS e participante do congresso, destacou a importância crescente da segurança da informação nas organizações. “Mais uma edição do CNPPD sendo realizada com sucesso, demonstrando que segurança da informação e proteção de dados pessoais não são mais temas opcionais, mas assuntos relevantes e vitais para a sobrevivência das organizações”, afirmou.
Francisco Raildo, representante do Tribunal de Contas do Acre, enfatizou a importância do evento para o setor público. “É de grande importância estar neste ambiente. Represento o Tribunal de Contas do Acre, que está em processo de adequação à LGPD, e participar deste evento nos aproxima de profissionais que compartilham experiências reais e fortalecem nossos projetos internos”, destacou.
Representando o Chile, o palestrante Marcelo Drago, Presidente da AGPD Chile - Asociación de Profesionales en Protección de Datos Personales, reforçou a relevância internacional do congresso. “Este congresso possui uma reputação muito relevante e, por isso, é importante estar aqui, atuando com profissionais do Brasil e da América Latina, compartilhando experiências enquanto Presidente da AGPD Chile. Essa troca fortalece a conexão entre os profissionais latino-americanos”, afirmou.
Henrique Rocha, estudante de Engenharia da Computação no Insper e intercambista na Technische Hochschule Ingolstadt, na Alemanha, participou do evento como voluntário pela comunidade Life4Sec. “Estar neste importante evento representa uma grande oportunidade de aprendizado e de manutenção de conexões internacionais. Voltei recentemente da Alemanha e hoje também estou desenvolvendo a Startellite, uma plataforma voltada à conexão entre startups e engenheiros de software”, comentou.
A palestrante Susanna do Val, Presidente do Sindicato dos Policiais Federais de São Paulo (SINPF/SP), chamou atenção para a importância da cibersegurança nas instituições públicas e policiais. “Considero fundamental que todos estudem cibersegurança, principalmente os policiais federais. Hoje é necessário investir em sistemas de proteção digital em empresas, aplicativos e também nos sistemas utilizados pelas instituições policiais”, alertou.
Cesar Bettin, Vice-Diretor do Comitê de Segurança da APDADOS, ressaltou o valor técnico do congresso. “Enquanto Vice-Diretor do Comitê de Segurança e também consultor, vejo extremo valor em estar ao lado de profissionais desse nível. A cada ano o evento inova nos temas abordados e reúne autoridades brasileiras e estrangeiras que se tornam importantes fontes de conhecimento”, afirmou.
O Prof. Davis Alves, Ph.D, Presidente da APDADOS, destacou: “O CNPPD nasceu com a missão de fortalecer os profissionais de privacidade de dados e, ao longo das edições, conectar o Brasil às discussões internacionais, neste ano sobre Inteligência Artificial, cibersegurança e governança digital. Hoje vemos o congresso reunindo especialistas de diversos países, demonstrando que o debate sobre proteção de dados precisa ultrapassar fronteiras e preparar os profissionais para os desafios globais que já estão acontecendo.”
Antonio Andrade, MSc, Representante da Regional APDADOS/SP, ressaltou: “O congresso demonstra como a proteção de dados e a cibersegurança se tornaram temas indispensáveis para empresas, profissionais e instituições públicas. O evento proporciona troca de experiências, atualização técnica e conexão entre especialistas que estão construindo o futuro da privacidade de dados no Brasil e no cenário internacional.”
O CNPPD 2026 demonstrou que os especialistas possuem uma visão cada vez mais alinhada sobre os desafios da LGPD: investir em educação, capacitação contínua, cooperação internacional, conscientização organizacional e integração entre Inteligência Artificial, privacidade e cibersegurança deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade estratégica. Em um cenário marcado pelo crescimento das guerras cibernéticas e pela expansão acelerada da IA, proteger dados significa também proteger pessoas, negócios e a própria sustentabilidade das organizações no futuro digital.
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