A torcida organizada ainda se comprometeu com a vigilância: "Se comprovado, seremos os primeiros a exigir renúncia"

por Marina Milani
Publicado em 22/11/2024, às 17h08
O Corinthians enfrenta um momento crítico em sua política interna, marcado pela convocação de votação para o impeachment do presidente Augusto Melo. A decisão, pautada por Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, está agendada para o próximo dia 28 e ocorrerá em voto secreto, em meio à reta final do Brasileirão e à busca do time por uma vaga na Libertadores.
Nesta quinta-feira (21), a Gaviões da Fiel reforçou seu posicionamento contrário ao processo. A torcida organizada já havia declarado, em 28 de agosto, que discordava das justificativas apresentadas para o impeachment. "Lamentamos que fatos não provados ou suspeitas estão sendo utilizados como fundamento para esse tipo de pedido", afirmou o grupo em nota pública, destacando que o Conselho de Ética recomendou a suspensão do processo até a conclusão do inquérito policial sobre o contrato de patrocínio da Vai de Bet.
A Gaviões criticou ainda a falta de transparência na votação secreta, ressaltando que decisões dessa magnitude precisam ser conduzidas de forma aberta e democrática. O grupo convocou a torcida para comparecer ao Parque São Jorge no dia 28 de novembro, a partir das 18h, para acompanhar a votação e os desdobramentos do caso.
Augusto Melo se pronunciou contra o impeachment, classificando-o como um "golpe" e denunciando a falta de provas contra ele. “Não admitirei que cassem o meu mandato sem que tenha sido garantido o meu direito de defesa”, declarou Melo, enfatizando que a condução do processo é injusta e desrespeitosa com os valores democráticos do clube.
A Gaviões da Fiel reforçou que a atual movimentação política é marcada por hipocrisia. “Os mesmos grupos políticos que causaram as dívidas atuais do Corinthians querem se colocar como solução para os problemas do clube, o que é inadmissível”, declarou a organizada, numa crítica direta a lideranças que apoiam o impeachment.
Apesar de seu posicionamento contra a destituição de Melo, a torcida mantém uma postura vigilante. "Deixamos claro que, caso o inquérito policial comprove que o presidente Augusto Melo tem algum envolvimento no caso em investigação, seremos os primeiros a exigir sua renúncia", afirmou.
O desfecho da votação pode gerar desdobramentos profundos para o Corinthians, tanto no aspecto político quanto esportivo. Caso aprovado, o impeachment levará ao afastamento imediato de Melo, com Osmar Stabile, primeiro vice-presidente, assumindo interinamente até a realização de uma nova assembleia geral dos sócios.
Enquanto isso, a maior torcida organizada do clube promete manter a vigilância sobre os rumos políticos e administrativos do Timão, reafirmando seu papel como defensora dos interesses da torcida corinthiana e da transparência no clube. "Seguiremos com o nosso papel de vigilância ativa, consolidando nossa representatividade junto à massa corinthiana", concluiu a Gaviões.
Veja:
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